Meu amigo de quarto

Postado em: 01/10/2020
“Meu pai, internado há alguns dias, queria muito fazer a barba, mas sem firmeza nas mãos se via impossibilitado, quando João, seu companheiro de quarto, se ofereceu, uma vez que havia aprendido o ofício com o avô, que foi barbeiro”. Assim começa a carta recebida pelo setor de Assistência Social do Hospital Padre Albino, de Cláudia Miranda, acompanhante do pai durante a internação. 
 
O propósito de Cláudia é ressaltar a empatia e o amor, tanto da equipe do hospital, que faz de tudo pelo paciente, “até enxugam nossas lágrimas com o trabalho de humanização”, assim como o gesto de João Vitor Carlos da Silva. “Foi uma das coisas mais lindas que aconteceram diante de todas as tempestades que estamos vivendo. O olhar, o carinho do João para com o meu pai foi indescritível. Foi mais que um procedimento; foi amor ao próximo, a real empatia”, disse ela. 
 
Na carta, Cláudia ainda relata que logo após cortar a barba do seu pai, João recebeu ligação informando que sua plantação de milho havia pegado fogo e que ele chorou muito, não pela plantação, pois plantaria de novo, mas por sua égua que estava doente, não pode fugir e morreu no incêndio. “Todos sentiram a tristeza dele e pedimos que ele fosse forte”, disse Cláudia, que deixou um recado para João e todos os profissionais do hospital: “Queridos anjos sem asas, que Deus os abençoe e vos protejam, pois trabalham muitas vezes exaustivamente enquanto pessoas brigam por coisas banais. Deixo essa frase para vocês: “o que fazem é uma gota no meio do oceano, mas sem ela, o oceano seria menor”. 

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