Novos tempos, novos rumos

No mês de março passado, o Conselho de Administração da Fundação Padre Albino, referendado pela Assembleia Geral, decidiu por reconduzir a Diretoria Administrativa para um novo mandato pelos próximos quatro anos. O mandato anterior desta diretoria foi tampão; apenas para concluir o mandato da diretoria anterior, que renunciou.
A perspectiva do exercício de um mandato integral é importante, pois permite planejar e executar melhor as ações, com maior assertividade. Nesses dez meses de mandato tampão muitas coisas foram realizadas, todas voltadas para o equacionamento financeiro e a reestruturação administrativa da Fundação, sobretudo na área da saúde.
Numa instituição do tamanho e complexidade da Fundação Padre Albino não é razoável esperar resultados significativos das ações em tão pouco tempo, embora algumas mudanças já possam ser percebidas.
O modelo de governança existente ainda hoje na FPA é arcaico e não condiz com a sua complexidade e nem com as novas exigências da sociedade pós-moderna em que vivemos. Muito menos com o que se exige hoje de empresas corporativas de qualquer natureza, inclusive as fundacionais. Daí a necessidade da implantação de uma nova governança corporativa, que atenda as necessidades sociais, nas áreas de atuação da Fundação, e que seja transparente para essa mesma sociedade, assim como tem sido para os órgãos fiscalizadores do Estado em todos os níveis.
Contratamos empresa de ponta para dar início ao processo de nova governança e, paralelamente, alguns profissionais gabaritados e experientes para garantir que o processo se desenvolva sem grandes rupturas, embora estas sejam necessárias em alguns pontos; outros profissionais serão ainda necessários. Contudo, detectamos que não basta apenas implantar as ações previstas para a melhoria e qualidade dos serviços, visto o baixo nível de adesão das pessoas envolvidas nas ações.
Percebemos que logo após a implantação das ações, boa parte dos processos e procedimentos voltava ao status anterior, sem produzir os resultados esperados. Para corrigir essa falha iniciamos já neste mês de abril um plano permanente de treinamento de mão de obra. Nesta primeira fase estão contempladas as chefias e lideranças, que garantirão a continuidade do treinamento, mas todos serão treinados no devido tempo. Sabemos que ainda persistem reclamações e descontentamento tanto por parte dos usuários dos hospitais e plano de saúde, como de alguns funcionários e colaboradores, principalmente com relação às instalações e equipamentos e, eventualmente, por deficiência no atendimento interno e externo.
Como já disse, não é possível mudar processos, procedimentos, instalações, máquinas, equipamentos e, principalmente, cultura em tão pouco tempo, considerando ainda os déficits constantes e progressivos no Departamento de Saúde. Nem por isso não se deve acreditar que as mudanças não acontecerão. Elas já estão acontecendo e seus resultados aparecerão em breve e todos serão beneficiados com isso.
Ato contínuo, toda atenção será dispensada ao corpo clínico dos hospitais Padre Albino e Emílio Carlos, que contam hoje com 61médicos contratados (vinculados), 292 credenciados (não vinculados) e 261 empresas médicas terceirizadas. É obviedade falar sobre a importância da parceria médico/instituição, que envolve direitos e deveres de ambos os lados. Mas seria hipocrisia não dizer que precisamos melhorar esse relacionamento e, consequentemente, os deveres e responsabilidades de ambos.
A FPA não nega que é preciso ter um corpo clínico bem remunerado, trabalhando em condições razoáveis e em ambientes de conforto mínimo. Mas, em contrapartida, precisa contar com um corpo clínico comprometido com a missão e visão da Fundação e total apoio à implementação das ações planejadas pela reestruturação administrativa. Ações estas que, necessariamente, passarão pela revisão de princípios, métodos e recursos a serem utilizados continuamente no aprimoramento da qualidade da instituição, na produção de serviços médico-hospitalares.
Entre esses princípios serão priorizadas a assistência focada no paciente, a assistência no tempo adequado, a eficiência, a equidade, a efetividade e a segurança do paciente, além, é claro, da avaliação do desempenho médico aferida através de indicadores de prática médica e de movimento gerado. Afinal, a fidelidade e dedicação do profissional médico à instituição é fator determinante à sobrevivência desta.


Dr. José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente de Diretoria Administrativa

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