SEMANA MONSENHOR ALBINO

“Desejo, com toda sinceridade, morrer inteiramente pobre, sem dinheiro, sem bens, sem dívidas e sem pecado”. (Padre Albino)

De 16 a 21 de setembro passado a Fundação Padre Albino comemorou a XXII Semana Monsenhor Albino. O encerramento se deu com missa na Igreja Matriz, celebrada pelo padre José Luiz Cassimiro, Vice-postulador da Causa de Beatificação do Padre Albino, e concelebrada pelos padres Synval Januário e Sylvio Fernando Ferreira, sendo que estes dois últimos tiveram a felicidade de conviver com Monsenhor Albino em seus últimos anos de vida.
A Semana Monsenhor Albino foi instituída no ano de 1986, treze anos após o falecimento do benemérito, pela Lei nº 2.265, de 30 de julho de 1986, para ser comemorada, inicialmente, de 1º a 08 de agosto, com o desenvolvimento de atividades de benemerência, culturais, religio-sas, artísticas e esportivas, cujas despesas deveriam correr por conta de dotações orçamentárias do Município. Posteriormente, em 1994, a Lei nº 3.087, de 07 de dezembro de 1994, alterou o período comemorativo, passando para 14 a 21 de setembro, como é comemorada até hoje. Alterou também a responsabilidade pela coordenação dos festejos, ficando à cargo dos Departamentos de Educação e de Cultura do Município de Catanduva, auxiliados pelos demais departamentos da Prefeitura, pela Fundação Padre Albino e também por clubes de serviços, escolas civis, militares e entidades religiosas de Catanduva.
Como a lei alteradora não revogou expressamente, as despesas deveriam ser custeadas pelos cofres da Prefeitura, o que de fato não acontece. Apesar das inúmeras obras que Padre Albino deixou e que beneficiam milhares de cidadãos de Catanduva e região, há muito tempo a Semana Monsenhor Albino vem sendo organizada e custeada pela Fundação Padre Albino, ou seja, na prática, as comemorações da Semana Monsenhor Albino promovidas pela Fundação Padre Albino nada tem a ver com a lei de 1986, apesar de ainda em vigor.
Hoje, os dirigentes da Fundação Padre Albino lutam com muita dificuldade para levar adiante suas obras. Não que sejamos incompetentes, mas a realidade é bem outra, tanto pelas mudanças introduzidas na Constituição de 1988, que alterou significativamente os direitos e garantias individuais de cada cidadão brasileiro, quanto por não termos mais à frente da instituição a figura carismática e emblemática de Monsenhor Albino, a quem ninguém negava um pedido.
Hoje, com dois hospitais-escola, oito cursos superiores, o AME, o Recanto Monsenhor Albino e brevemente a Radioterapia, a Fundação Padre Albino atende a muito mais pessoas do que atendia no passado, mas continua colocando dinheiro do próprio bolso - e não é pouco - para manter abertos seus hospitais e demais obras assistenciais.
Vemos com bons olhos, por exemplo, as inúmeras promoções de iniciativa popular ou da sociedade organizada para levantar recursos financeiros para o Hospital do Câncer de Barretos. Consideramos essas campanhas legítimas e justas, mas nos perguntamos: por que não também para os hospitais da Fundação Padre Albino? Afinal atendemos a população de 19 municípios, colocando dinheiro do próprio bolso para cobrir os imensos déficits produzidos pelos hospitais-escola. Nossas contas são auditadas interna e externamente por órgãos governamentais e nosso balanço contábil e social, bem como os relatórios de atividades, são publicados regularmente onde todos podem conferir a dimensão do nosso trabalho. Então por que não sermos também contemplados com esses recursos?
Portanto, nesta XXII Semana Monsenhor Albino, em que também se comemoraram os 40 anos de seu falecimento, é um momento oportuno para refletirmos sobre a participação da sociedade no custeio dos hospitais, que têm atendido várias gerações de catanduvenses e de municípios circunvizinhos, sem praticamente nada pedir; pelo contrário, sendo sempre muito cobrados. Se mais não oferecem é porque não têm condições. Criticar somente nos momentos em que nós ou um de nossos familiares precisa de atendimento mais célere ou acomodações condignas, não me parece justo.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa

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