ANO NOVO (?)

Eis-nos em um novo ano novo, de novo! Mas novo como, se tudo como estava à meia-noite do dia 31 de dezembro permaneceu exatamente igual no primeiro dia de janeiro?
É verdade que reiniciamos a contagem dos dias, já que se convencionou que o ano tem doze meses e cada um com a quantidade de dias que lhe é peculiar. Também reiniciamos alguns registros pró-memória para caracterizá-los no tempo que convencionamos ser da forma como são.
Poderíamos, para caracterizar como algo realmente novo, fazer como fizeram os franceses ao criarem o Calendário Revolucionário Francês, entre o final do século XVIII e início do século XIX, que alterou as denominações dos meses (vindemiário, brumário, frimário, etc.), bem como os períodos em que ocorriam. Mas não. Nossa vida e nosso dia-a-dia continuam na mesma sequência do ano velho.
Então o que realmente muda? Muda, na verdade, o nosso interior, nosso espírito, nossas esperanças, nossos propósitos e até mesmo nossas promessas. É isso o que realmente muda! Diz uma canção anonovina “... que tudo se realize no ano que vai nascer...”. Essa realização, porém, está centrada muito mais no íntimo de cada um de nós do que em realizações materiais. É o desejo de que os nossos sonhos se concretizem para muito além de qualquer conforto material que possamos experimentar e sejam transformados em alegria, satisfação, amizade, amor próprio, amor à vida e amor ao próximo. É nesse ponto, no amor próximo, que para nós, dirigentes, funcionários e colaboradores da Fundação Padre Albino, temos o nosso ano renovado.
Para nós pouco importa a contagem do ano civil, já que a cada dia que passa nossas esperanças de poder atender a todos com qualidade, eficiência, humanidade e um sorriso nos lábios é renovada. Infelizmente a enfermidade que atinge a todas as pessoas, sem exceção, não escolhe nem dia, nem hora, nem ano para atacar e, por isso, o Hospital Padre Albino fica aberto vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, doze meses por ano e anos a fio para atender a todos os que nos procuram.
Para nós, o ano não termina nem recomeça. Ou, dito de outra forma, o ano para nós recomeça a cada dia, a cada hora e a cada minuto, independentemente do calendário. Nossa preocupação com o bem estar dos pacientes e seus familiares se renova a cada instante, pois só assim podemos suportar o peso de compartilhar com eles a dor do infortúnio e a alegria da recuperação, o júbilo das novas vidas que florescem e a tristeza daquelas que fenecem.
Em alguns desses momentos dolorosos somos muitas vezes incompreendidos por familiares e amigos do doente por não termos atendido suas expectativas. Entendemos suas decepções, mas é preciso que eles também entendam que o ambiente em que trabalham os nossos funcionários e colaboradores, que muitas vezes chegam ao limite do estresse pelo convívio com centenas de outros pacientes nas mesmas ou em piores estado de saúde, pode gerar atos falhos. Afinal, também são humanos e têm sentimentos. Eles também gostariam que tudo passasse de forma diferente, mas muitas vezes a solução lhes foge à própria capacidade de resolver como gostariam. Isso, contudo, não lhes tira o mérito do esforço, embora, pelos motivos acima, falho.
Apesar de tudo isso, não hei de negar que, de uma forma ou de outra, o ano novo se faz realidade entre nós e, com ele, tudo de bom que podemos almejar e desejar um ao outro. É com esse espírito que renovo, portanto, em meu nome e em nome da Fundação Padre Albino, os nossos mais enlevados desejos e propósitos de poder atender mais e melhor a todos, indistintamente, ainda que para isso seja imprescindível a sensibilização governamental na liberação dos recursos necessários e suficientes para o setor de saúde, que compreende as Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, sejam eles públicos ou privados.
Com a concretização desse cenário, aí sim, vamos poder afirmar, com certeza, que teremos finalmente um ANO realmente NOVO.
Feliz 2014 a todos!

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa

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