Estórias, histórias, fatos, gestos e atitudes

Tenho para mim que quem conta histórias presenciou os fatos ou no mínimo pesquisou muito sobre eles. Imagino também que quem conta estórias o faz porque ouviu dizer algo que se tornou popular ou tradicional ou mesmo inusitado no cotidiano das pessoas ou da comunidade, de questionável comprovação ou acreditação. De uma forma ou de outra, fala sobre fatos ou suas versões. Dependendo de quem as conta, essas histórias ou estórias têm ou não credibilidade. Quando quem as conta é o Dr. José Carlos Buch, dispensa-se certificado de garantia, pois se trata da própria garantia personificada, de credibilidade inquestionável.
Homem versado em leis e em letras conhece como poucos os fatos que aos poucos foram construindo a história de Catanduva. Sendo ele próprio um catanduvense de raiz, trata-se de pessoa das mais credenciadas para relatar histórias ou estórias sobre pessoas de sua terra natal, que aqui viveram ou ainda vivem e fizeram ou ainda continuam fazendo a história de Catanduva.
Sem ser necessariamente um historiador, todavia, narra fatos e versões com a maestria de poucos e de forma inigualável. Refiro-me, evidentemente, à obra prima literária PESSOAS DE ESTÓRIA E HISTÓRIA DE PESSOAS do Dr. José Carlos Buch, lançada recentemente em Catanduva com as honras que o fato merece. Digo obra prima porque o fato de ser o primeiro livro deste autor e, por enquanto, o único, não o desqualifica como tal, nem impede que venha a ser superado como tal. Talento não lhe falta!
Este livro certamente fará o sucesso que merece, principalmente entre os catanduvenses, até porque faz parte do DNA de cada um de nós, que mesmo não sendo catanduvenses de nascimento, fomos inoculados com o vírus do encantamento feiticeiro que impregna a todos que aqui vivem. Todavia, não vou comentar sobre a obra em si do Dr. Buch, já que com certeza cada leitor terá a oportunidade de se deleitar com os fatos e versões que naturalmente vertem de suas páginas como fonte de água viva. Quero falar aqui de algo que o Dr. Buch não conta em seu livro e que para a Fundação Padre Albino tem um significado ainda maior que sua própria obra, com a devida licença do autor: o seu gesto.
Vindo de um homem do seu quilate familiar, profissional e de benemerência não se poderia esperar outra coisa que o não pensar em si, mas no bem da comunidade que nasceu e vive. O seu gesto de destinar o fruto da venda de sua obra prima para uma instituição filantrópica, cuja edição bancou do próprio bolso, diga-se, é muito mais do que simbólico como ele próprio se referiu; tem antes um significado pedagógico e humanitário.
Pouco importa o quanto financeiramente significará esse gesto: terá um significado imenso para a instituição e para toda população de Catanduva e região. Há muito que venho tentando transmitir a essa mesma população a importância de gestos e atitudes pessoais como este do Dr. Buch, não só para com os hospitais da Fundação Padre Albino, mas para com toda e qualquer instituição que se proponha a ajudar os mais necessitados e carentes.
Não podemos esperar só pela ajuda humanitária governamental, que bem sabemos jamais será suficiente. Temos, como cidadãos, responsabilidades mais que constitucionais para com nossos irmãos carentes; temos responsabilidade cristã. E o gesto do Dr. Buch recoloca essas responsabilidades bem à nossa frente, diante dos nossos olhos nos alertando que é preciso que cumpramos com o nosso dever.
Não podemos ficar esperando que apenas os outros assumam suas responsabilidades; devemos também assumir a nossa. E, a bem da verdade, o Dr. José Carlos Buch nem precisava nos mostrar isto, considerando seu longo histórico como rotariano atuante com muitas obras em prol da sociedade catanduvense, sendo uma das principais a criação do projeto “Dr. Sara & Cura”, que há mais de 15 anos leva alegria e entretenimento às crianças internadas na Pediatria do Hospital Padre Albino, entre outras.
Não precisava, mas quis fazer o gesto e dar novamente o exemplo. O dinheiro, independentemente do montante, repito, será revertido à reforma de uma das alas do Hospital Emílio Carlos, destinada ao atendimento exclusivo de usuário do SUS, que em razão da idade do prédio e do uso intenso encontra-se degradada e com aspecto insuficiente para atendimento digno aos pacientes e seus familiares.
Por mais este gesto do Dr. José Carlos Buch quero, na condição de Presidente da Diretoria Administrativa da Fundação Padre Albino e em nome de toda a Diretoria Administrativa e do Conselho de Curadores e também de toda a população assistida, dizer-lhe DEUS LHE PAGUE. Desejo-lhe ainda, pessoalmente, muito sucesso à sua obra e muita inspiração para que outras tantas possam vir na trilha desta.

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