CIDADANIA

Prezado leitor. No momento em que você estiver lendo este editorial já estaremos sabendo quem será o primeiro mandatário (ou mandatária) do país para os próximos quatro anos.
Após uma extenuante festa democrática, nós, eleitores e eleitoras brasileiros, por nossa livre e espontânea vontade escolhemos quem conduzirá o destino do país, para o bem ou para o mal. Assistimos, durante todo o período eleitoral, acalorados – e às vezes exagerados – debates sobre quem seria o melhor candidato (a) e suas respectivas propostas para a melhoria geral do povo brasileiro e da nação como um todo.
Na verdade ouvimos e vimos mais críticas recíprocas do que propriamente propostas; talvez em razão de certa imaturidade ainda da nossa jovem democracia, em que pese já terem decorridos quase trinta anos da atual fase democrática, na acepção da palavra. Ouvimos também muitas opiniões sobre socialismo e liberalismo, direita e esquerda, ricos e pobres, nós contra eles etc., sem entender muito bem o significado de tudo isso.
Para a grande maioria de nós, pobres mortais, toda essa discussão não faz muito sentido, até porque a nossa percepção da realidade fica muito aquém (ou muito além) das grandes questões filosóficas, que só vamos entender mesmo ao roncar da barriga vazia ou na maca enferrujada no corredor de um hospital qualquer, entre outras realidades palpáveis. Mesmo assim, muitos, resignados, ainda dirão: fazer o que? Deus quis assim! Certamente que não. Deus não quis e nem quer que seja assim. Aliás, penso até que Deus não tem nada a ver com isso desde quando deixou o mundo à mercê dos homens para que dele nos servíssemos e cuidássemos, bem como de nossos semelhantes. Tudo bem que para nós que cremos há sempre a possibilidade de rogarmos por uma ajudazinha a Deus e Ele certamente não se negará. Mas penso também que grande parte da solução está em nossas próprias mãos, a partir do momento em que podemos fazer nossas escolhas de forma consciente e não de forma desleixada, permitindo que outros as façam por nós. É certo também que sempre há a possibilidade de errarmos na escolha, quanto é certo também que sempre haverá uma próxima oportunidade para escolhermos melhor, se não desistirmos de escolher.
Muitas das mazelas que experimentamos nos serviços públicos de responsabilidade do Estado advêm de maus governantes que ou ajudamos a escolher ou, no mínimo, nos omitimos em escolher votando em branco ou anulando o voto. Uma atitude assim nos derroga até mesmo do direito de reclamar, já que quando fomos chamados à responsabilidade dela nos esquivamos.
Saúde, educação, saneamento básico, segurança, moradia etc. são direitos do cidadão e dever do Estado. Só que muitas vezes nos esquecemos de que o Estado também somos nós, que nos fazemos representar no Poder Legislativo e Executivo pelos políticos profissionais que livremente escolhemos. Portanto, criticar o Estado, ou seja, a nós próprios, é direito inalienável e exclusivo daqueles que participaram efetivamente do processo de escolha. Nem mais nem menos.
Exigir melhores condições de saúde para todos, indistintamente e independentemente de preferências partidárias, é direito de todos os que, legitimamente, exerceram seu poder de escolha.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da Fundação Padre Albino (Catanduva/SP) e Membro do Conselho de Administração da Fehosp

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