Um santo homem

Encerrou-se, no dia 26 de outubro passado, a Fase Diocesana do processo de beatificação e santificação de Padre Albino Alves da Cunha e Silva, nosso querido e amado Padre Albino. A Fundação Padre Albino, proponente da causa, participou das solenidades de lacramento da caixa com os documentos para envio ao Vaticano, dando-se início à Fase Romana do processo.
Muitos acalentaram esse sonho que começa a se tornar realidade. Muito também já foi dito e muito ainda se tem a dizer sobre a vida e obra de Padre Albino nesta região. Seu nome tem uma relação profunda e plasmada à história de Catanduva.
Padre Albino chegou ao Brasil em 1912, com 30 anos de idade, fugindo da perseguição da ditadura portuguesa. Depois de passar por Jaboticabal, Jaú e Barra Bonita tomou posse da Paróquia de Catanduva em 1918, apenas quatro meses depois da emancipação do município. Sua vida, sempre piedosa, simples, austera e circunspecta, era vivida exclusivamente em atenção aos mais pobres e necessitados. A caridade o dominava. Seu profundo amor a Deus arrancou-lhe a alma de si mesmo para dedicá-la ao serviço do próximo; por isso ele conquistou o coração de todos, através de sua imensa bondade.
Padre Albino está física e espiritualmente presente no cotidiano de Catanduva onde realizou muitas obras e, após sua morte, milagres. Foi dele a iniciativa de construção da Igreja Matriz, que depois recebeu as pinturas de Benedito Calixto. Trouxe da Europa o sucesso das Misericórdias e deu início à Santa Casa de Misericórdia de Catanduva, hoje Hospital Padre Albino (interessante notar aqui que o fundador da primeira Misericórdia do mundo, São Pedro Mártir, nascido em Verona, em 1205, era da Ordem dos Pregadores ou Dominicanos quando ainda vivia o fundador da Ordem, São Domingos de Gusmám ou Gusmão, Patrono da Matriz e da Diocese de Catanduva). Recusou-se a mudar o título para Hospital Padre Albino, mas foi vencido em assembleia. Mesmo assim, o título Santa Casa permanece até hoje no frontispício do Hospital Padre Albino.
Depois disso vieram o Lar dos Velhos, hoje Recanto Monsenhor Albino; a Casa da Criança Sinharinha Netto; a vinda das irmãs de caridade e dos padres doutrinários e, com estes, a construção do Santuário Nossa Senhora Aparecida, hoje Sé Catedral; a capela do bairro São Francisco; o Pensionato (depois ginásio) Dom Lafayette; o Seminário César de Bus também no São Francisco; o Coleginho; a Vila São Vicente de Paulo; o Orfanato Ortega e Josué e outras criadas após a sua morte, mas em consequência do que plantou: o Museu Padre Albino, o Hospital Emílio Carlos, o plano de saúde Padre Albino Saúde, o Câmpus São Francisco das FIPA, a administração do Ambulatório Médico de Especialidades. Por fim, a constituição da Fundação Padre Albino para abrigar também o ensino universitário, iniciado com a criação do curso de Medicina. Desejava formar muitos médicos para seus doentes.
Através das iniciativas de Padre Albino, a Fundação Padre Albino continua a realizar importante trabalho nas áreas da saúde, educação e assistência social, empregando direta e indiretamente milhares de pessoas de Catanduva e região. Mas a Causa, embora patrocinada financeiramente pela Fundação, não é dela e sim do povo de Catanduva e região, sobretudo dos fiéis católicos cuja solidariedade torna-se imprescindível. Afinal, Padre Albino foi do povo, viveu pelo povo e para o povo. Não por outra razão seus milagres foram e ainda serão grandemente constatados no meio do povo. Padre Albino, que já foi declarado Servo de Deus pela Santa Sé, segue agora rumo à santificação.
Para nós, independentemente do que vier a ser proclamado pelo Vaticano sobre a Causa de Beatificação de Padre Albino, ele foi e continuará sendo um Santo Homem pelas obras e exemplo que aqui deixou. Marcas de uma vida inteiramente dedicada à evangelização e promoção da vida dos mais pobres e necessitados, através da criação de organismos e instituições de saúde, educação e assistência social.
Cabe-nos, contudo, continuar rezando para o sucesso da Causa e para que Padre Albino seja proclamado pelo Romano Pontífice Venerável, Beato e, por fim Santo, no já ditoso número de Santos da Igreja Católica Apostólica Romana, o mais breve possível. É o que serenamente esperamos.


José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da Fundação Padre Albino (Catanduva/SP) e Membro do Conselho de Administração da Fehosp.

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