Acesso à saúde. Aquele abraço!

Conforme comentei no artigo anterior (Escrito nas estrelas, edição nº 227), os hospitais da Fundação Padre Albino participaram ativamente da etapa municipal do Dia D de ação da campanha “Acesso à Saúde – Meu Direito é um dever do Governo”, lançada pela Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Brasil, ocorrida no dia 29/06 passado, para conscientização da população a fim de pressionar as autorizadas competentes a olharem com prioridade para a situação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos brasileiros, muitos em situação econômico-financeira desesperadora. Da mesma forma participamos do Dia D de ação nos Estados, que no Estado de São Paulo ocorreu no dia 13/07, nas dependências da Assembleia Legislativa. Ambas participações muito positivas para a Fundação Padre Albino.
No Dia “D” municipal, entre as inúmeras ações programadas, tais como vestir peça de roupa preta com adesivo da campanha, distribuição de folhetos ilustrativos, publicação em jornais e revistas, palestra sobre a real situação do setor, convites a autoridades etc., foi dado um abraço simbólico no Hospital Padre Albino como forma de agradecer pelos serviços prestados há tantos anos. Iniciadas suas atividades no longínquo 1926, há 89 anos atende ininterruptamente a população de Catanduva e região sem nunca ter fechado suas portas ou deixado de atender alguém.
Para esse evento de reconhecimento e agradecimento foram convidados todos os cidadãos de Catanduva, em especial aqueles que algum dia precisaram (ou precisarão) de seus serviços e todos aqueles que atualmente vivem circunstancialmente em razão da sua existência: médicos, enfermeiros, administradores, colaboradores, fornecedores, prestadores de serviços, enfim, todos os que direta ou indiretamente dependem, senão exclusivamente, ao menos parcialmente de que suas portas permaneçam abertas e resolutivas.
Não esperávamos, evidentemente, reunir várias centenas de pessoas ao seu redor por alguns minutos; nem isso seria possível numa segunda-feira logo pela manhã. Contudo, pelo alto significado do gesto esperávamos, pelo menos, conseguir algumas voltas de pessoas nos pouco menos de quatrocentos metros de sua circunferência. A maioria dos que lá estavam era funcionário administrativo – considerando que os funcionários assistenciais não podem abandonar seus postos – alguns Conselheiros e, salvo engano, um médico, além da emblemática pessoa de Pe. Synval Januário. Com alguma dificuldade conseguimos, afinal, abraçá-lo. O que foi emocionante e proporcionou uma linda imagem aérea, que foi divulgada na primeira página do jornal local e também nas páginas da Fehosp e CMB na internet. O exemplo dado por Catanduva foi destaque nas palavras do presidente da Fehosp, Dr. Edson Rogatti, e ficou definitivamente registrado nos anais da luta por melhores condições de saúde no Município, no Estado e no Brasil.
Quando decidimos participar dessa e de outras campanhas anteriores, sempre nos preocupa congregar o maior número possível de pessoas ou autoridades, não porque esperamos que reconheçam o nosso esforço, mas porque de fato entenderam a mensagem da campanha e a sua finalidade altruística. Afinal, uma vez alcançado seu objetivo, o único beneficiário será o povo, sobretudo aqueles menos favorecidos que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde no amparo às suas enfermidades. Sabemos por experiência própria o quanto é difícil fazer chegar uma mensagem por mais importante que seja ao conhecimento do cidadão comum, na sua grande maioria de baixa escolaridade e, por isso mesmo, pouco esclarecido. Tanto quanto sabemos que a mensagem chega perfeitamente ao cidadão médio e aos intelectuais que, no entanto, raras vezes se dispõem a se envolver em atos públicos por mais altruísticos que sejam. Talvez imaginem que sua presença não será necessária e sua ausência não notada, até porque não têm nenhuma responsabilidade nas mazelas governamentais. Devem talvez pensar que “quem pariu Mateus, que o embale”. Não é problema dele, ou talvez tenha vergonha de aparecer em público parecendo um idiota. Tudo bem. Respeita-se. Mas enquanto houver “idiotas” lutando por uma boa causa, uma causa justa, haverá também “espertalhões” ou “avexados demais” escondendo-se atrás da sua covardia, no entanto beneficiários diretos ou indiretos de eventuais e meritórias conquistas dos “idiotas”. Certamente temos todos muito ainda a aprender.
Quem pôde comparecer ao abraço no Hospital Padre Albino com certeza sentiu seu coração pulsar mais forte e, acredito, fez rolar uma lágrima dos olhos de Padre Albino no alto de sua santidade, onde repousa sua alma.
Não foi desta vez, ainda, mas não desistiremos jamais de lutar por dias melhores na saúde, assim como na educação, no saneamento básico etc.
A todos, AQUELE ABRAÇO!

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa

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