Os primeiros 30 dias de regulação da Unidade de Urgência e Emergência do Hospital Padre Albino

No dia primeiro de outubro passado, o Hospital Padre Albino deu início a uma importante ação visando implantar significativas melhorias na Unidade de Urgência e Emergência (UUE), mais conhecida como Pronto Socorro. Nessa unidade assistencial eram atendidas todas as pessoas que lá chegavam vindas dos mais diversos pontos do Município de Catanduva ou de outros municípios, independentemente de serem usuárias do SUS ou não. Durante muitos anos essa foi a realidade daquela Unidade, muitas vezes criticada pela demora e superlotação.
O que poucas pessoas sabiam era que a UUE não tinha nenhuma responsabilidade contratual para atender pacientes com moléstias de baixa complexidade. Essas, por determinação legal, são de responsabilidade dos municípios, gestores da chamada “saúde básica” desde o pacto pela saúde assinado em 2006. Os hospitais da Fundação Padre Albino são contratados pelo Governo do Estado de São Paulo para atenderem as chamadas “média e alta complexidades”, aí incluída a Unidade de Urgência e Emergência.
Apesar disso, o Hospital Padre Albino jamais negou atendimento a todos os que procuraram pelo Pronto Socorro em todo esse período, mesmo aqueles da saúde básica. Contudo, havia necessidade de se colocar um fim nessa inconformidade, financeiramente bancada com recursos próprios da Fundação Padre Albino, sem nenhuma ajuda dos municípios beneficiários.
Com o aval e coordenação do Departamento Regional de Saúde (DRS) houve a convocação dos 19 (dezenove) municípios participantes do Colegiado Intergestores Regional (CIR) para um minucioso planejamento visando a regulação do atendimento de urgência e emergência da saúde básica, responsabilidade dos municípios, cujo início de execução se deu exatamente no dia primeiro de outubro, quando então o Pronto Socorro do HPA passou a atender somente os casos graves de urgência e emergência. No mês de setembro, último mês antes da regulação, o número de pacientes atendidos no Pronto Socorro foi de 4.580. Durante o mês de outubro esses atendimentos caíram para 2.536, ou seja, uma redução da ordem de 45% (quarenta e cinco por cento). Isso só nos primeiros trinta dias, considerando, que ainda faltam alguns ajustes importantes.
Esse resultado só foi possível devido a um extensivo trabalho de esclarecimento à população e usuários do sistema, principalmente pela Equipe de Acolhimento e Classificação de Risco do Pronto Socorro do Hospital Padre Albino, que permaneceu e permanecerá orientando todos os que procurarem por aquela Unidade. Além disso, a eficiência do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) do município de Catanduva e o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido na UPA foram fundamentais para o sucesso da regulação até aqui.
Internamente, a regulação do atendimento refletiu positivamente na melhoria da assistência médico-hospitalar. As salas de urgência, como sempre, se mantiveram ocupadas com pacientes graves, em ventilação mecânica, porém, o número de pacientes de livre demanda diminuiu significativamente. Isso fez com que a atenção dos Médicos Residentes aos pacientes fosse mais efetiva, com melhores resultados para ambos. Também os alunos do Internato da FAMECA (5º e 6º anos) relataram “que agora podemos realmente examinar os pacientes, acompanhar os exames e a evolução dos casos”, refletindo significativamente em melhoria no ensino e na aprendizagem.
A assistência prestada pelo corpo de enfermagem teve melhora substancial, com mais ênfase às salas de urgência e, com isso, assistência mais segura aos pacientes críticos. O tempo de espera para o atendimento também diminuiu. Esperas de 6 a 8 horas (Protocolo de Manchester) não ocorreram. Urgências e emergências são atendidas prontamente e as demais em até duas horas de espera.
Com a redução de atendimentos aos pacientes da Atenção Básica houve também reflexos imediatos na Alta Qualificada dos pacientes internados, gerando maior rotatividade de leitos de internação e até mesmo de UTI. Os pacientes da Alta Qualificada já saem com retorno ao médico/ambulatório agendado.
Contudo, inconformidades ainda persistem. Alguns pacientes espontâneos, que deveriam ter acionado o SAMU ao invés de procurarem diretamente o Pronto Socorro, acabaram, por medida de segurança, sendo admitidos, classificados e atendidos ou encaminhados para a UPA. Por outro lado, alguns municípios continuam encaminhando pacientes não regulados e/ou com patologia de baixa complexidade, que podem ser atendidos lá mesmo. Tudo está sendo devidamente tabulado e comunicado ao DRS, para conhecimento e providências. Ainda assim, o número desses pacientes ficou abaixo das expectativas.
É auspicioso constatar os primeiros resultados positivos, alcançados a partir de um planejamento bem feito e bem executado. Ao corpo diretivo da FUNDAÇÃO PADRE ALBINO não resta outra alternativa a não ser agradecer a todos e a cada um que colaborou efetivamente para o sucesso da regulação nos primeiros trinta dias. Entre outros merecem nossos mais sinceros agradecimentos todos os funcionários e colaboradores das áreas administrativa, de enfermagem e do corpo clínico do Hospital Padre Albino.
Agradecimento maior, contudo, deve ser dirigido à população de Catanduva, usuária do Sistema Único de Saúde, que compreendeu de forma excepcional os objetivos da operação de regulação do Pronto Socorro e colaborou efetivamente para esse sucesso, ainda que parcial.
A Fundação Padre Albino reafirma seu compromisso para com a população de Catanduva e região e assume que vai continuar buscando a excelência no atendimento a todos que procurarem pelos serviços de seus hospitais Padre Albino, Emílio Carlos ou do Ambulatório Médico de Especialidades (AME).

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa
da Fundação Padre Albino

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