Hospital de Câncer de Catanduva. Um sonho?

Certamente, mas um sonho muito próximo de se tornar realidade. Um sonho que não era meu, mas que abracei com todas as minhas forças quando assumi a responsabilidade de conduzir uma instituição que nasceu a partir do sonho de um sabido sonhador, ou melhor, mais que um sonhador, um visionário.
Não sei se em sua época, Padre Albino já acalentava implantar um hospital de câncer, ou algum tipo de tratamento específico para esses pacientes. Mas certamente as gerações seguintes de administradores da sua Fundação, junto ao clamor da população, se sentiram na obrigação de buscar o lenitivo para essas famílias e seus doentes.
Sabemos que o câncer é uma das doenças que mais ceifam vidas no mundo. Sabemos também que a sua incidência crescerá de forma exponencial nos próximos anos. Sabemos ainda que, em suas inúmeras formas, antes de aniquilar com os pacientes, traz muito sofrimento e muita dor não só para a vítima, mas para toda a família. E essa via crucis pode ser longa, interminável.
No Brasil são poucos os centros especializados em tratamentos oncológicos, e muitos dos que existem não tratam do ciclo completo da doença, fazendo com que os pacientes sejam obrigados a se deslocar de suas localidades para outras que oferecem o tratamento, às vezes muito distantes. Muitos precisam levantar-se ainda de madrugada para tomar a ambulância que os levarão ao tratamento, junto com outros doentes da comunidade, só retornando a seus lares no final da tarde ou já no início da noite, após terem passado o dia todo em espera e sob efeito do tratamento. Chega a ser desumano, mas não há alternativa.
Outro fato a ser considerado é que, como não há muitos centros especializados, os que existem já estão superlotados e não estão mais dando conta de toda a demanda, sempre crescente, pois estão atendendo não só pacientes da região, mas de outras regiões do Brasil e até mesmo de países vizinhos. Uma situação insustentável.
Segundo a medicina atual, uma das formas de superar a doença com segurança é o diagnóstico precoce, propiciando tratamento antes de sua fase metastática. O problema é que mesmo assim esses pacientes, com grandes chances de cura, vão precisar de algum tipo de tratamento, nem sempre existente na sua cidade ou microrregião. As pessoas com poder aquisitivo não terão muitos problemas para se deslocar e conseguir o tratamento com qualidade e conforto. Esta não é, entretanto, a realidade da maioria dos brasileiros que dependem exclusivamente do SUS. E não raras vezes muitos pacientes, que iniciam seu tratamento com recursos próprios, acabam, em razão do custo e extensividade, migrando para o SUS.
Esperar só por ações governamentais proativas para resolver o problema é, com certeza, esperar por morte prematura. Por isso a Fundação Padre Albino deu o primeiro passo e foi em busca de solução para alívio e conforto, pelo menos para a população sob sua responsabilidade nos dezenove municípios de sua base territorial em assistência de média e alta complexidade, que inclui o tratamento oncológico completo.
Neste momento estamos próximos de concluir a estrutura física do prédio da Radioterapia – que além do acelerador linear (aparelho de radioterapia), contará ainda com salas de consulta, salas de repouso, sala de braquiterapia e demais dependências – com estrutura moderna e equiparada ao que há de mais avançado no tratamento oncológico atualmente.
Depois da conclusão do prédio – o que deve ocorrer até meados do ano – faltarão ainda alguns itens importantes para colocá-lo em funcionamento, tais como mobiliário, equipamentos de informática, gases medicinais, sistema de ar condicionado etc, sem contar o acelerador linear, item mais importante de todos.
Tudo o que realizamos até agora foi com recursos governamentais, conseguidos a muito custo. Mas ainda falta metade e neste momento não podemos contar muito com essas verbas, por razões óbvias. Para a conclusão do prédio em si faltam pouco mais de R$ 5 milhões, se considerarmos o custeio de pelo menos o primeiro ano de funcionamento. Acabamos de fechar a aquisição do sistema de ar condicionado por R$ 950 mil, a serem pagos em parte com recursos do telemarketing. Para o acelerador linear temos em caixa aproximadamente 60% do seu valor.
Considerando que iniciamos a construção ainda no primeiro semestre de 2013, cujo desenvolvimento foi prejudicado pelos constantes atrasos nas liberações das verbas; considerando a escassez de verbas governamentais e considerando, ainda, que os pacientes oncológicos da região não podem esperar a vida toda para serem tratados próximos de suas residências é que a Fundação decidiu buscar os recursos faltantes junto à própria população, que sempre se solidariza com as grandes causas. E esta não é só uma grande causa; é também uma causa nobre.
A campanha do HOSPITAL DE CÂNCER DE CATANDUVA – HCC ABRACE ESSA CAUSA está em pleno desenvolvimento e já começa a apresentar os primeiros resultados, embora ainda não financeiros. Temos recebido o apoio de várias organizações de voluntários(as) e um sem números de incentivos e solidariedade. Importantes? Sem dúvida; mas não bastam. É preciso que isto se transforme em recursos para atingirmos o objetivo rapidamente a fim de que os pacientes não tenham de esperar indefinidamente.
Contamos com a sua colaboração e solidariedade para com os pacientes que hoje precisam desse tratamento.
            
José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa
da Fundação Padre Albino

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