A campanha do HCC

Como já mencionado aqui e alhures é sabido que o brasileiro não tem o hábito nem a cultura da doação, se comparado a outros países em semelhantes condições de renda e riqueza ou não. É certo que mesmo assim muitas pessoas doam e o fazem de forma generosa e abnegada porque entenderam o valor da causa e seu efeito positivo na sociedade sobre a qual todos temos responsabilidades.
           Ao lançarmos a campanha para viabilizar a implantação do Hospital de Câncer de Catanduva – HCC, após meses de estudos e planejamento, tínhamos muito claras as dificuldades que essa ação poderia enfrentar, considerando justamente o alto volume de recursos necessários e o espírito doador da população de abrangência da campanha. Além disso, sabíamos perfeitamente que muitos poderiam deixar de doar para o HCC porque já doavam para o Hospital de Câncer de Barretos.
           Passados os primeiros 60 (sessenta) dias de campanha podemos avaliar que ela está sendo um sucesso absoluto, senão em termos financeiros, pelo menos em termos de divulgação e de apoio tanto da população quanto das entidades da sociedade organizada que entenderam de pronto a importância desse serviço a toda população de Catanduva e região, que passará a ser atendida no HCC e não mais em Barretos. A cada dia que passa mais e mais pessoas, organizações, empresas e os meios de comunicação nos procuram para, juntos, traçarmos alguma ação que possa agregar recursos ao longo do tempo para o HCC.
            Um exemplo digno de registro foi a ação imediata de Lourdinha Fávero, tradicional arrecadadora de recursos para o Hospital do Câncer de Barretos que com sua experiência pessoal, aliada à disposição, garra e fibra de suas colaboradoras – e não são poucas – em pouco tempo agendaram nada mais nada menos que 50 (cinquenta) cafés beneficentes, cujos recursos serão destinados integralmente ao HCC. Não bastasse isso, acabam de contratar um show musical de alto nível, cujo resultado será também destinado ao Hospital de Câncer de Catanduva. Sinceramente, nós nunca duvidamos, mas não tínhamos conhecimento de tanto potencial e tamanha dedicação. E este é só um exemplo. Já há inúmeros outros, que se fossemos relatar aqui, provavelmente seria possível escrever um pequeno livro.
            Isso nos faz começar a repensar sobre a máxima que afirmamos no início deste texto, de que o brasileiro não tem o hábito nem a cultura da doação. Esta pode ter sido uma realidade de um passado não muito distante. Mas vê-se cada vez mais que vai mesmo ficando no passado. Pela experiência que estamos vivenciando nessa campanha, talvez seja mais correto afirmar que o brasileiro não doa porque não se lhe apresenta uma boa causa para doar ou não vê o resultado efetivo de sua doação. Do contrário, não só doa como abraça a causa e passa a trabalhar por ela; pelo menos é isso que estamos comprovando. Daí a colher os resultados parece-nos que é só questão de tempo.
            O sentimento que fica é que a semente já foi plantada, será devidamente cuidada para que floresça, se desenvolva e dê bons frutos no tempo certo. É um caminho sem volta e, independentemente de quem esteja à frente das ações, trará inúmeros benefícios a todos.
            Certamente também o sucesso dessa campanha não nos desobriga de continuarmos buscando por recursos públicos, o que temos feito insistentemente junto a parlamentares e governos estadual e federal. O sucesso da campanha nos estimula a cada vez mais batalhar por esses recursos e outros serviços de saúde para a população.
            Com isso, a Fundação Padre Albino dá continuidade à obra de seu fundador, que com seu exemplo de vida não nos permite desistir nunca.
 
                                                                       José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa
da Fundação Padre Albino

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