Complexo Esportivo Prof. Ivo Dall’Aglio, uma redenção !  

A FIPA inaugurou no dia 18 de junho último um complexo esportivo ao qual deliberou dar o nome do saudoso professor Ivo Dall’Aglio, em justa homenagem àquele que foi, junto com outras personalidades importantes para a Fundação Padre Albino, o próprio Padre Albino inclusive, responsável pelo surgimento, em 1973, de mais uma faculdade para Catanduva e região - a ESEFIC - Escola Superior de Educação Física e Desportos de Catanduva. As modernas instalações do Complexo Esportivo Prof. Ivo Dall’Aglio destinam-se às atividades de ensino, esportivas e de prevenção à saúde. Poucas instituições de ensino superior possuem infraestrutura semelhante.
            Custos à parte, quem tem muito a comemorar são, em primeiro lugar, todos os estudantes da FIPA, especialmente os de Educação Física - bacharelado e licenciatura. O espaço é aberto também aos funcionários da Fundação. No local há uma cozinha de apoio para eventos festivos. Outros departamentos da Fundação, tais como seus hospitais e AME, também poderão se beneficiar do espaço recém-inaugurado.
            Ninguém, entretanto, está mais radiante com a inauguração desse complexo esportivo do que os dirigentes da Fundação Padre Albino, principalmente o Dr. Nelson Jimenes, diretor geral das Faculdades Integradas Padre Albino. Essa alegria tem razão de ser porque o curso de Educação Física passou por um fio para não ser desativado. Poucas pessoas sabem, a não ser aquelas que presenciaram um momento muito delicado que o então curso de bacharelado da Educação Física vivenciou entre 2010 e 2011, quando a administração municipal da época resolveu não renovar o comodato de mais de 30 anos, e exigiu a desocupação imediata do Conjunto Esportivo Municipal onde estava instalado até então o curso.
            A criação e instalação da ESEFIC só se tornou possível porque o então prefeito municipal à época, Dr. João Righini, solidário à causa de Padre Albino, cedeu aquele espaço onde o curso permaneceu por mais de 30 anos cumprindo seu mister. O próprio Dr. João Righini fez menção a isso em artigo publicado no jornal O Regional de 29/06/2016. Citou, entre outros batalhadores para que o curso fosse instalado, o Dr. Renato Bueno Neto, Dr. Lenício Pacheco, Dr. Arlindo Busnardo, Túlio Tricca e Gentil de Angelo.
Entre 2010 e 2011, a administração municipal, sob alegação de que aquele local abrigaria um projeto esportivo profissional incompatível com a presença da faculdade dividindo o espaço, solicitou a desocupação do Conjunto pelo curso. Projeto que, afinal, não vingou. Foi um momento de muita angústia e decepção, pois naquele momento a Fundação não dispunha de outra estrutura capaz de abrigar o curso de Educação Física e em tão pouco tempo. A ESEFIC ficou na iminência de fechar.
            Embora ocupando um espaço público, não imaginávamos ter que deixá-lo algum dia porque sua estrutura, além de ser apropriada para abrigar um curso de educação física, recebia, como contrapartida, toda manutenção e cuidados necessários e ainda continuava à disposição da comunidade e da própria Prefeitura para outros eventos ou atividades. Quantas vezes as aulas não foram suspensas por causa disso? Não só fomos surpreendidos pela solicitação da Prefeitura como ficamos indignados com a forma com que isso foi feito; sem nenhuma sensibilidade ou respeito àqueles que tanto lutaram pela instalação do curso e suas finalidades sociais. Após mais de 30 anos ocupando e mantendo em boas condições de uso o Conjunto Esportivo Municipal, sem contar os investimentos próprios da Fundação na construção de anexos e salas de aula, não esperávamos ser enxotados da forma como fomos, sem chance de poder oferecer aos alunos algo minimamente satisfatório para as aulas práticas. Levá-los às dependências do Hospital Emílio Carlos foi a saída, embora inadequada. Para agravar, naquele momento a Fundação passava por uma grave crise financeira, daquelas que vez por outra acometem as entidades filantrópicas prestadoras de serviços ao SUS, e não podia fazer o investimento em tão curto espaço de tempo. Nem mesmo isso sensibilizou o mandatário. Como lenitivo, ofereceu R$ 50.000,00 para a construção de uma quadra poliesportiva nas dependências do Hospital Emílio Carlos que, além de insuficientes, jamais chegaram aos cofres da Fundação por problemas burocráticos.
            Hoje, graças ao espírito combativo e empreendedor dos dirigentes da Fundação, podemos dizer com muito orgulho que a inauguração do Complexo Esportivo Professor Ivo Dall’Aglio, menos de seis anos após o despejo sumário, tem, para nós, um sabor de redenção. Apesar de tudo, aquilo que poderia ter causado um prejuízo irreparável ao sistema educacional de Catanduva e aos cofres da Fundação com o fechamento do curso foi, pelo contrário, o ponto de inflexão para que ressurgisse das cinzas tal qual Fênix. E continua a formar excelentes e competentes profissionais. Seremos sempre gratos a todos que foram solidários aos propósitos de Padre Albino, permitindo que a Fundação ocupasse aquele espaço. Jamais nos negaríamos a desocupá-lo, por qualquer motivo que fosse. Contudo, a forma com que a Fundação Padre Albino foi tratada é que causou perplexidade. Reitero que, apesar do uso gratuito do espaço, a causa era e continua a ser muito nobre, já que o grande beneficiário sempre foi o cidadão catanduvense. Foi por isso e para dar sustentabilidade ao Hospital Padre Albino que Padre Albino tanto batalhou para a implantação deste e de outros cursos superiores em Catanduva. Economicamente também a Fundação nada ficou devendo ao erário público municipal, já que durante o tempo que lá esteve sempre cuidou com o maior carinho de toda a estrutura, mantendo-a em excelentes condições – talvez de outra forma ficasse abandonada. Lá, realizamos várias obras de ampliação sem nenhum reembolso; pagamos religiosamente todas as despesas de custeio, energia elétrica, segurança etc.
            Na mesma época, mas por outros motivos, o executivo municipal também se recusou a renovar o comodato do prédio da FAECA, que abriga os cursos de Administração e Direito e que, da mesma forma, havia sido cedido para a Fundação, ou seja, em razão da causa. Mesmo com dificuldade, a Fundação não teve outra saída a não ser comprar o prédio da FAECA para não ter de fechar os cursos lá instalados.
            A Fundação respeita muito as administrações públicas e quer sempre manter um bom relacionamento com todas elas assim como com qualquer outra instituição pública ou privada e, se possível, parcerias. Mas esses episódios indignaram muito. Por isso, é grande a nossa alegria hoje por termos resgatado essa autonomia com dignidade. Marcou a falta de respeito ao espírito e visão de Padre Albino em criar fontes alternativas de renda para a manutenção dos hospitais, quem sabe já prevendo a falta de financiamento adequado do poder público à saúde, proporcionando, ainda, oferta de ensino de qualidade aos jovens catanduvenses. A Fundação, assim como agora, cobria os déficits dos hospitais com os recursos das atividades de educação e, mais recentemente, do seu plano de saúde. A Fundação é privada, é verdade! Mas seus fins são públicos e que o diga a população assistida. Projetos pessoais ou com fins menos nobres nunca podem se sobrepor à causa do povo.
            Meus sinceros cumprimentos aos familiares do saudoso Professor Ivo Dall’Aglio, um exemplo de profissional e ser humano a ser seguido.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa 

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