Hospital Padre Albino: 90 anos de excelentes serviços prestados

No dia 26 de junho deste ano a Fundação Padre Albino comemorou, singelamente, os 90 anos do início das atividades da Santa Casa de Misericórdia de Catanduva, hoje Hospital Padre Albino. Digo singelamente porque certamente seria assim que Pe. Albino gostaria de comemorar. Segundo consta, ele era avesso a muita badalação.
A Santa Casa foi construída sob o signo do assistencialismo, no sentido sociológico. Pe. Albino, segundo o historiador Sérgio Bolinelli, se sensibilizou com um fato: “ao sair em busca de donativos para a construção da Igreja (Matriz), visitando sítios e fazendas, verificou a situação de pobreza de muita gente e as dificuldades que passavam quando alguém da família ficava doente (...)”. Logo tomou a iniciativa de promover o conforto a esses doentes e seus familiares que não tinham condições de se deslocar para Rio Preto ou Jaboticabal para tratamento de saúde com profissionais médicos, em ambientes próprios. Vale lembrar que naquele tempo não havia nenhum sistema organizado de assistência à saúde, quando muito um ou outro posto de saúde composto de meia dúzia de funcionários; nenhum médico.
Sem esperar por providências do Poder Público, lançou mãos à obra junto com outros abnegados cidadãos catanduvenses cônscios de suas responsabilidades sociais e cristãs e construiu o que viria a ser – e é até hoje – a principal casa de saúde que atende não só a população de Catanduva, mas também de toda a região. Atende a todos indistintamente. O objetivo principal de sua criação, porém, foram os pobres e desvalidos, como se constata nos artigos primeiro e segundo dos Estatutos da Associação Beneficente Catanduva, a qual teria como fim amparar e proteger toda sorte de necessitados (Art. 1º) e manter um hospital para enfermos e desvalidos, sem distinção de nacionalidade, cor, estado, nem de credo religioso ou político (Art. 2º).
Os tempos mudaram. Vieram nova Constituição e novas leis que passaram a exigir do Estado uma assistência efetiva a todo cidadão brasileiro. Criou-se um sistema organizado e hierarquizado de assistência à saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), que, mesmo com muitas falhas e falta de financiamento adequado, é, em sua concepção, um dos melhores sistemas de assistência em saúde do mundo. Pelo novo sistema, o Hospital Padre Albino passou a ser remunerado por dar assistência aos menos favorecidos. A diferença é que passou a assistir a muito mais doentes do que era sua obrigação contratual, ainda que recebendo menos do que o custo do próprio serviço prestado. Até hoje é assim!
Já parou para pensar quantos pacientes passaram pelo Hospital Padre Albino nesses 90 anos? Quantas vidas vieram ao mundo e dele se foram nas dependências desse hospital, sempre tratadas com muito carinho e respeito pelos profissionais, voluntários, religiosos e religiosas que dedicaram muitas vezes uma vida inteira ao sofrimento alheio? Pensou em como poderia ter sido para aqueles que nos antecederam se Padre Albino não fosse iluminado e predisposto à filantropia? Quantas pessoas tiveram sua saúde restabelecida graças aos médicos que as atenderam e ao conforto de ter um hospital? Já lhe ocorreu como seria ficar sem um hospital em sua cidade? Se perguntou alguma vez de onde vêm os recursos financeiros para cobrir a diferença entre o custo real de um procedimento e o que é pago pelo Estado?
Pois é, Padre Albino teve a premonição disso tudo e deixou-nos um legado que procuramos cumprir fielmente. Os tempos são outros, mas o objetivo do Hospital Padre Albino não mudou, nem mesmo sua forma de financiamento, que continua a depender também de recursos próprios e doações. O que mudou foi apenas o volume de atendimentos e, consequentemente, a necessidade de recursos. Só em 2015 foram 12.171 internações; 7.420 cirurgias; 636.254 exames laboratoriais e de imagem; 90.489 atendimentos no pronto-socorro e por aí vai. Todos, mais cedo ou mais tarde, precisam de um hospital e o hospital Padre Albino nunca deixou ninguém sem atendimento. Eventualmente pode ter atrasado um ou outro atendimento em razão da alta demanda, mas nunca deixou de atender.
Hoje em dia se fala muito em desospitalização, ou seja, evitar que um paciente seja internado ou internado permaneça sem necessidade. Evitar ao máximo internações é uma tendência global, mas infelizmente demorará para ser realidade no Brasil. Nossa população está próxima de atingir maioria na faixa da terceira idade e por falta de sistema adequado de prevenção acaba engrossado a massa de internações hospitalares para tratar de doenças crônicas próprias da idade que na maioria das vezes poderia ser tratada em casa mesmo. Outro fator de internação e demais procedimentos sem necessidade é a deficiência na assistência básica de saúde em nível de postos de saúde, UPA’s e UBS’s. Geralmente esses aparelhos acabam agindo como meros triagistas, isto é, sem resolutividade, e encaminham casos sem maiores gravidades aos hospitais quando poderiam ser resolvidos lá mesmo. A falta de consciência e profissionalismo de alguns médicos também acaba contribuindo com o excesso de internações, visto que, em muitos casos, os pacientes poderiam receber alta, mas por comodismo e/ou insegurança os médicos acabam mantendo o paciente internado sem necessidade.
Muito se fala também na falta de leitos, mas estatísticas da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo apontam para sobra deles. Isto ocorre porque a maioria dos hospitais de pequeno porte, por falta de mão-de-obra e recursos financeiros, acaba encaminhando seus pacientes aos hospitais de maior resolutividade, como é o caso do Hospital Padre Albino, o que acaba gerando superlotação e sensação de falta de estratégia, quando na verdade é mesmo falta de política de Estado para melhor gerenciamento das estruturas hospitalares existentes. Ou seja, muitas vezes o hospital de maior porte acaba sendo duramente criticado pela demora no atendimento ou falta de leitos, quando na verdade está atendendo além de sua capacidade instalada enquanto há ociosidade em hospitais menores.
Padre Albino foi um instrumento de Deus em seu tempo porque viu a necessidade de seu povo e buscou provê-la da melhor forma possível. Porém, de alguma forma anteviu o que iria acontecer no futuro e procurou deixar fontes alternativas de receitas para que seu hospital e seus doentes não ficassem só na dependência do Poder Público. Já sabia que o Poder Público sozinho não daria conta de atender todas as necessidades do povo. E agiu da melhor maneira possível criando uma associação e, posteriormente, uma Fundação para garantir a sobrevivência de sua obra. Mas nada disso permanecerá por muito tempo se todos e cada um dos cidadãos não se conscientizarem de suas responsabilidades sociais.
Vivemos num país maravilhoso, onde impera a democracia e através dela a liberdade. Mas a liberdade também implica em responsabilidade, onde cada um é responsável pelo bem-estar do outro, como nos ensinou o Servo de Deus Padre Albino.
O Hospital Padre Albino fez 90 anos, mas quem está de parabéns é o cidadão catanduvense, que conta hoje com um hospital de excelente resolutividade e qualidade no atendimento. É referência regional como hospital geral de média e alta complexidade e referência estadual em queimados. E poderá ser muito mais se tiver o respaldo do Poder Público e da sociedade.
Parabéns ao Hospital Padre Albino! Parabéns Catanduva! E nosso muito obrigado ao Servo de Deus Padre Albino por tão importante obra!

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa 

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