O médico e a Fundação Padre Albino

“Desejo, com toda sinceridade, morrer inteiramente pobre, sem dinheiro, sem bens, sem dívidas e sem pecado”. (Padre Albino)
No dia 18 de outubro comemorou-se o Dia do Médico. Muitas homenagens foram prestadas através da imprensa a esses profissionais da saúde, inclusive pela Fundação Padre Albino.
Apesar de sinceras, talvez nenhuma delas possa ter tocado mais os corações dos médicos do que um cumprimento pessoal, um aperto de mão ou um abraço de todos nós que, afinal, fomos, somos ou seremos pacientes submetidos aos cuidados deles.
Pode ser também que o Dia do Médico tenha passado despercebido para muita gente. Afinal, erroneamente, só nos lembramos deles quando precisamos dos seus cuidados. Muitas vezes ainda os criticamos duramente ou porque não fomos bem atendidos ou o nosso problema não foi resolvido como queríamos ou, ainda, porque só pensam em dinheiro. Às vezes com razão e na maioria das vezes sem razão alguma; é bem da cultura brasileira atitudes como essas.
É injusto, contudo, pensar dessa forma. O profissional médico é, antes de tudo, um ser humano como qualquer um de nós, leigos, que não raro exigimos deles atuação como se fossem deuses. Mesmo reconhecendo que em todas as profissões há sempre elementos que não as honram, eles não são deuses, embora em muitas ocasiões nossas vidas estejam em suas mãos.
No plano profissional, além dos muitos anos de estudos – mais do que em qualquer outra profissão – têm um longo caminho a percorrer até o reconhecimento e a estabilidade financeira. Sem contar a obrigatoriedade de atualização permanente, em razão dos constantes avanços da medicina.
A Fundação Padre Albino, para cumprir sua missão, sempre contou com a parceria do profissional médico em todos os momentos dos seus 85 anos de existência. É certo que nem sempre essa relação foi tranquila, mas como em todas as relações entres seres humanos, por sua própria natureza, há altos e baixos. Ora um, ora o outro não compreende as agruras do parceiro e, por isso, vivem às turras. Apesar de tudo, a parceria continua firme e dando bons frutos.
Os hospitais da Fundação Padre Albino não poderiam existir sem os médicos e os médicos não teriam onde internar e cuidar de seus pacientes sem a existência dos hospitais da Fundação Padre Albino. É dessa (im)perfeita simbiose que depende a população para solução de suas aflições com a saúde. Também dependem dela o Poder Público Executivo, que por si só não tem como administrar saúde ao povo.
A Fundação Padre Albino, como toda Santa Casa e Hospital Filantrópico no Brasil, luta com muita dificuldade para cumprir sua missão e em muitos momentos - como o que estamos vivenciando agora - coloca dinheiro do próprio bolso para manter seus hospitais abertos. Alguns médicos parecem não querer entender essa situação e se preocupam apenas consigo próprios. Felizmente a minoria. Mesmo assim é muito desgastante para o gestor conduzir as insatisfações dos usuários do sistema de saúde, por um lado, e as dos médicos, por outro, tendo de acorrer o tempo todo ao Poder Público para mendigar aquilo que deveria ser a obrigação dele: prover recursos para a saúde.
Não bastasse isso, frequentemente vemo-nos emparedados entre a necessidade premente de melhoria geral das estruturas hospitalares e a falta de profissional médico em determinadas especialidades. Ao contrário do que muitos pensam, há sim falta de médicos mesmo aqui em Catanduva.
O Ambulatório Médico de Especialidades (AME), recentemente inaugurado, que o diga. Tem procurado médicos em várias especialidades, tanto aqui como em outras praças, sem sucesso. Alguns dizem não terem disponibilidade, outros simplesmente não se interessam em prestar o serviço forçando a Diretoria a rever junto ao Estado as metas definidas para a região. Outras vezes é a própria Administração que parece não se sensibilizar com as dificuldades que o profissional médico encontra para bem exercer seu trabalho, não reconhecendo seu esforço contingencial.
Esses embates, embora às vezes necessários, não podem e não têm impedido o bom andamento dos serviços e muito menos colocam em risco a sobrevivência da instituição. E disso todos temos plena consciência.
Esta nova administração tudo fará para mitigar esses momentos, buscando o diálogo, o entendimento e a visão conjunta do que é melhor para a instituição, seu corpo clínico, seus funcionários e, principalmente, para a população.
É certo que grande parte dos nossos problemas advém da falta de um olhar atento dos governantes para o segmento da saúde. Mas isto não tira a nossa responsabilidade de fazer o melhor possível para que ela, a saúde, não falte a ninguém, quer seja assistido do SUS ou particular.
A Diretoria Administrativa sabe das suas responsabilidades enquanto gestora, ainda que voluntária, e dela não se furta. E espera contar com a compreensão e colaboração de todos os médicos, do corpo clínico ou não, para a superação desse momento de dificuldades e na busca permanente da excelência na prestação de serviço em saúde.
Para a Fundação, o Dia do Médico não é um dia qualquer; é um dia em que sente orgulho de tê-los em seu DNA.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos.


Dr. José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da D.A.

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