De volta para o futuro

Não, caro leitor, não se trata do famoso filme americano da década de 80 que sequer assisti. Tomo emprestado apenas o título, que me remete a um exercício mental sobre a emblemática pessoa de Monsenhor Albino imaginando, no seu tempo, em que poderia se transformar a sua obra de caridade. Que era um visionário hoje nós podemos afirmar com absoluta certeza, mas será que ele tinha essa ideia de si próprio? Humilde como era, creio que não.
Fez tudo o que fez procurando aliviar as necessidades imediatas da população carente, ao mesmo tempo em que previa as dificuldades futuras. E planejava com antecedência uma solução. Mesmo não tendo assistido, acredito que o filme não poderia traduzir melhor o que seria uma volta para o futuro do que as ações premonitórias de nosso patrono, considerando, ainda, que o filme é mera ficção, entretenimento, enquanto o Padre trabalhava com a realidade. E que realidade!
Com toda a visão de futuro que de fato tinha, suponho que nem mesmo ele poderia imaginar os rumos que suas obras tomariam, muito além de prover os necessitados de assistência médico-hospitalar. Seus hospitais e asilo se tornaram referência em saúde e assistência social, sustentados financeiramente pelos cursos superiores que criou a partir da Faculdade de Medicina e, mais recentemente, pelo eficiente plano de saúde Padre Albino Saúde, que a partir de março ganha nova nomenclatura jurídica em razão da criação da Associação Padre Albino Saúde – APAS.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo setor de saúde no Brasil, fruto de anos e anos de má administração política e outras práticas espúrias da classe, a Fundação Padre Albino, graças à visão de futuro de seu fundador, paga sim um alto preço pela sua eficiência, mas não deixa ninguém ao desamparo. Não digo isso por mim simplesmente; são os fatos que comprovam.
Disse nas últimas edições deste jornal das inúmeras realizações dos diversos departamentos da Fundação Padre Albino no ano passado. Referi-me ao sucesso de seus hospitais na busca da eficiência e qualidade no atendimento aos usuários dos serviços em saúde. Falei sobre as importantes conquistas dos cursos superiores da FIPA, sobretudo da Faculdade de Medicina. Ocorre que nesse período novos fatos aconteceram e novas conquistas temos a relatar. Ou seja, o ano de 2016 foi ruim em vários aspectos, porém nós não ficamos parados para ver o que aconteceria. Continuamos nossa trajetória de luta ininterrupta e os resultados vão aos poucos sendo colhidos.
O Cremesp realiza todos os anos um exame de proficiência aplicado aos estudantes que se formaram nas faculdades de medicina do Estado de São Paulo. O exame não é obrigatório para o exercício da profissão; no entanto, tornou-se importante para o acesso a programas de Residência Médica e concursos públicos. Os resultados, que necessariamente deveriam ser a aprovação em massa, mais uma vez decepcionaram. Aqueles que foram certificados para salvar vidas não conseguiram provar, em sua maioria (56,4%), que estão aptos para isso. Não é apenas vexaminoso; é preocupante.
A Fameca participou do certame com 65 egressos de seu alunado, junto com outras 30 (trinta) escolas de medicina do Estado de São Paulo. E, repetindo anos anteriores, ficou entre as que mais aprovaram. Embora não haja classificação entre elas, ficou entre as 16 (dezesseis) escolas cujos alunos acertaram acima de 60% das questões colocadas. Vale lembrar que entre elas apenas 06 (seis) eram escolas da iniciativa privada, a Faculdade de Medicina de Catanduva inclusive. Sorte? Não! Mérito, muito mérito. Veja na página 08.
Outra notícia alvissareira para as Faculdades Integradas Padre Albino foi a visita da Comissão do INEP-MEC para avaliação institucional com vistas a transformar as faculdades integradas em Centro Universitário. Com essa provável conquista, o Departamento de Educação da Fundação Padre Albino dará um grande passo rumo à excelência no ensino superior. Além da reformulação de sua estrutura educacional, com o incremento de mestres e doutores, novos cursos serão oferecidos e implantados com maior rapidez, atendendo, assim, a uma demanda crescente na região. Vem aí novas e excelentes oportunidades. Veja na página 09.
Como se vê, se Padre Albino voltasse hoje para o futuro que ele próprio construiu talvez tivesse o ímpeto de dar sua obra por concluída, embora sabendo que ainda há muito por fazer. Porque constataria que seus sucessores, estando a uma distância abissal da sua capacidade de benemerência, trabalharam para que ela crescesse em estatura, sabedoria e graça, parodiando, no bom sentido, o evangelho de Lucas sobre o menino Jesus.
Por falar em sabedoria, quero aqui render minhas sinceras homenagens a um catanduvense da mais alta estirpe cultural que esta terra já conheceu. Grande empresário, escritor, enxadrista, mecenas, exímio orador e profundo conhecedor da história do Brasil é também fundador da Associação de Assistência ao Hospital Emílio Carlos – AEC. Aprendi muito lendo seus artigos nos jornais. Refiro-me ao DR. ANTONIO CELIDONIO RUETE, que completa oitenta e oito anos de puro altruísmo otimista e contagiante. Conversar com ele é sempre motivo de alegria e satisfação. Seu sorriso largo e cativante aliado à sua polidez revelam um verdadeiro gentleman. Que Deus lhe dê muitos anos de vida, muita paz e saúde para a felicidade daqueles que têm a honra de desfrutar da sua existência. Parabéns Dr. Antonio, amigo da FPA e meu amigo também!
José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa 

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