Planos de saúde de baixo custo: valerá a pena?

Pouco depois de assumir a pasta da Saúde, o ministro Ricardo Barros,em um de seus pronunciamentos, fez referência à possibilidade da criação de planos de saúde de baixo custo para atender demanda específica de usuários. Na agudeza da crise econômica que se instalou no governo anterior,muitos trabalhadores, em sua grande maioria pertencente à classe média, perdeu seus empregos,ficando também ao desamparo de um plano de saúde que atendesse condizentemente a si e a seus familiares, dentro de sua capacidade de pagamento. Sem esse plano ao qual já estavam acostumados, o que fazer no momento de cuidar da saúde? Enfrentar a fila do SUS? Sim, mas a contragosto. E se tivesse outra alternativa?
Houve, como não poderia deixar de haver, grita de todos os lados e sob os mais diversos argumentos e pontos de vista. Nada aconteceu até o momento e quem perdeu o seu plano passou a engrossar a fila do SUS. Não que isso seja demérito para ninguém, pois em muitas localidades os atendimentos pelo sistema único são equiparáveis aos convênios,dependendo do tipo de plano que o usuário possui. Às vezes até melhor.
Não tenho conhecimento suficiente para saber exatamente como funcionaria um plano como esse; limito-me apenas a comentar a ideia, assim como ela me parece, de acordo com minha experiência atual frente a uma instituição filantrópica. Deixando paixões de lado e focando estritamente as intenções da proposta, veremos que não se trata de nenhum absurdo. Pelo contrário, poderia, sim, num conjunto de ações, proporcionar um nível diferenciado de atenção suplementar à saúde, sem onerar ainda mais o SUS, passando a competência desses atendimentos à iniciativa privada, que já provou que sabe fazer muito bem o que o governo tem sempre muita dificuldade para fazer. Infelizmente no Brasil parece que algumas pessoas não gostam muito quando alguém vai bem em seus negócios; querem logo nivelar por baixo qualquer iniciativa de sucesso. Ora, quem trabalha bem merece ter seu lucro assegurado, desde que, de sua parte, também assegure o que foi livremente contratado. Por outro lado, não devemos esperar que um Estado paternalista nos proporcione tudo o tempo todo.
É interessante notar quemuitas pessoas, por puro preconceito, rejeitam ser atendidas pelo SUS sob uma miríade de acusações, muitas vezes falsas. Gostariam de ter seu plano de saúde, mas os existentes se tornaram proibitivos. Esperam do Estado o que a bendita constituição cidadã garante a todos; só que isto é simplesmente impossível. Ainda que não houvesse tanta corrupção e desmandos no serviço público nacional, ainda assim seria impossível garantir a todos os mesmos níveis de serviços oferecidos pelos bons planos de saúde. Então, qual seria a solução intermediária? Mágica não vale!
A Fundação Padre Albino, que atende com qualidade ambos os usuários, tanto do SUS quanto particulares e de convênios, vê com bons olhos essa iniciativa e faz questão de contribuir no debate.
Nossa vocação primeira é a filantropia, isto é, atender bem e gratuitamente todas as pessoas que não possam pagar pelo tratamento de saúde. Isso foi feito com muita competência por Padre Albino e seus sucessores até que o Estado assumiu a responsabilidade. De forma insuficiente, mas assumiu. A diferença nós continuamos bancando.
Do outro lado temos o plano Padre Albino Saúde que tem feito muito sucesso e cresce a olhos vistos. Seusexcedentes operacionais até aqui têm sido destinados a cobrir boa parte dos déficits produzidos pelos hospitais Padre Albino e Emílio Carlos, que atendem preponderantemente usuários SUS. O atendimento tanto para usuários SUS quanto convênios e particulares são os mesmos. O que muda são as acomodações para um e para outro, dentro do que permite a lei. Se o cidadão que teve seu nível socioeconômico abalado temporariamente e por isso não pode mais bancar um plano de saúde que gostaria e, no limite, não quer que seus familiares sejam atendidos como usuários do SUS, qual a solução que podemos lhe oferecer? Vamos deixá-lo escolher; é um direito dele.
Interessante notar também que há muito já existe no mercado os tais “planos funerários” que, a título de vender urnas mortuárias a prestação, oferecem no pacote consultas e exames a baixo custo, porém com coparticipação. E nunca ninguém se indispôs contra isso.E nem deveria. Porque não um plano mais abrangente, porém de mais baixo custo e com efetividade? Ser contra só por ser contra não ajuda. Posso não ter razão, mas até aqui não vejo porque não.

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