Padre Albino – vale a pena voltar ao assunto

Voltar ao assunto? Mas por acaso deixou-se algum dia, nos últimos 99 anos, de se mencionar o nome de Padre Albino em Catanduva? Claro que não! Mas, então, porque voltar ao assunto? Voltar ao assunto porque, apesar desse “santo” nome ser repetido milhares de vezes todos os dias, poucas pessoas se dão conta a quem estão se referindo e muito menos às inúmeras obras sociais que deixou como legado para Catanduva e região.
O ainda jovem Albino Alves da Cunha e Silva, português de nascimento, nascido no dia 21 de setembro de 1882, na aldeia de Codeçoso, Conselho de Celorico de Basto, Província do Minho, provavelmente nem sonhava qual seria sua grande missão ao se tornar padre, nem muito menos em que lugar do mundo viria a se tornar o maior benemérito que estas terras de antanho de São Domingos do Cerradinho iriam parir.
Aqui chegou em 28 de abril de 1918, já não mais fugidio da Revolução de Portugal de 1910, mas padre já experimentado nas paróquias de Jaboticabal, Jaú e Barra Bonita. Certamente quando chegou ao Brasil, em 1912, já trazia impregnado na alma a “Epopeia das Misericórdias”, no sentido que lhe dá o Padre Cherubin para significar o enfrentamentocontínuo e heroico“de toda e qualquer dificuldade, socorrer pessoas em situação de risco, combater pestes e outras doenças, sobretudo as infectocontagiosas; colocando-se a serviço dos governos, das comunidades e das pessoas, para enfrentar efeitos deletérios da natureza (...); criando um sem número de estabelecimentos para poder assistir as pessoas da comunidade, independentemente de cor, raça, credo político, religioso ou qualquer outra discriminação”.
Originária de Florença, na Itália (1244), as Misericórdias logo chegaram a Portugal (Lisboa, 1498) e mais tarde ao Brasil (Vila de Olinda, Pernambuco, 1539) com o mesmo espírito altruísta de seus fundadores. Logo que chegou, o primeiro e grande desafio de Padre Albino foi construir uma Igreja (matriz) compatível com a população do recém-criado Município de Catanduva, no exato lugar onde se encontrava a antiga capela. Evidentemente que não foram poucas as contrariedades como, aliás, até hoje a Fundação que ele criou enfrenta vez por outra. Talvez isso também faça parte do legado. Em seguida começa a transformar completamente tudo o que se conhece por assistência social em Catanduva com a construção da Santa Casa de Misericórdia de Catanduva (1926), conhecida hoje como Hospital Padre Albino, que veio à luz por meio da criação da Associação Beneficente de Catanduva (19/10/1926) “com o fim de amparar e proteger toda sorte de necessitados”.
Daí em diante só parou mesmo quando morreu, em 1973, deixando em seu rastro de beatitudes inúmeras obras que até hoje cumprem com eficiência e devoção seu mister. Acoplados ao corpo principal do HPA vieram a maternidade, o pavilhão infantil, e, mais tarde, no cinquentenário, o bloco de seis andares. O Lar dos Velhos, hoje Recanto Monsenhor Albino, a Faculdade de Medicina, a criação da Fundação Padre Albino (1968), o Colégio Comercial Catanduva, a Faculdade de Administração de Empresas e a Faculdade de Educação Física são algumas de suas obras ainda em vida. Após a sua morte, mas em razão da instituição que deixou para seus “herdeiros” fundacionais manterem, vieramo Hospital Escola Emílio Carlos, a Faculdade de Enfermagem, a Faculdade de Direito, a Faculdade de Pedagogia, o desdobramento da Faculdade de Educação Física em Bacharelado e Licenciatura e mais recentemente a criação do plano de Saúde Padre Albino Saúde e a OSS para administrar o Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Isto só no âmbito da Fundação Padre Albino. Fora dela ainda foi o grande responsável pela criação da Casa da Criança Sinharinha Netto, a Vila São Vicente de Paulo, o Orfanato Ortega Josué, Educandário São José, o Ginásio Dom Lafayette, o Colégio Nossa Senhora do Calvário, o Seminário César de Bus e o Santuário Nossa Senhora Aparecida, hoje a Sé Catedral, e as capelas de Elisiário, Caputira eQuilômetro Sete. Trouxe ainda os padres doutrinários para Catanduva.
No ano que vem Catanduva e região terão o privilégio e a honra de comemorar o 100º ano da chegada daquele que foi, sem sombra de dúvida, o maior benemérito que por aqui passou e produziu frutos - e os produziu em abundância. Frutos esses que se multiplicam ano após ano, através daqueles que abraçaram a sua causa, a causa do povo. Não por outro motivo sua vida e obra estão sendo submetidos ao Vaticano para que reconheça sua santidade. Essa comemoração pode ser um momento de redenção da gratidão que todos lhe devemos. É nosso dever homenagear e, melhor do que isso,ajudar a manter a memória daquele que tanto bem fez e continua fazendo ao povo.
Também o Município de Catanduva completará no ano que vem os seus cem anos de emancipação político-administrativa, mas nenhuma comemoração será completa sem reconhecer que o seu sucesso político-administrativo muito se deve às obras de Padre Albino, baluarte por estas paragens de toda e qualquer administração profícua, séria, transparente e voltada exclusivamente para o bem do povo. E tenho fé, de onde quer que ele esteja, continuará velando para que a sua instituição continue trilhando os caminhos que sempre sonhou.

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