Voluntariado, um sacerdócio!

“Desejo, com toda sinceridade, morrer inteiramente pobre, sem dinheiro, sem bens, sem dívidas e sem pecado”. (Padre Albino)
Segundo o dicionário Houaiss, voluntariado significa, por extensão de sentido, “conjunto daqueles que se dedicam a uma atividade por vontade própria”; filantropo significa “quem age em favor do seu semelhante (...) altruísta” e sacerdócio “função que apresenta caráter nobre e venerável em razão do devotamento que exige”.
As definições do dicionário são perfeitas, mas não conseguem exprimir a essência do que é ser voluntário, isto é, o íntimo daquele que se dedica devotamente ao próximo. É nesse sentido que voluntariado é um sacerdócio; o exercício da filantropia por excelência.
Ninguém entra no voluntariado porque quer, mas porque é chamado para uma missão, para um devotamento. O convite pode vir de qualquer pessoa, mas o chamado certamente vem de Deus. Somente quem exerce ou já exerceu o voluntariado sabe verdadeiramente o sentido desse sacerdócio.
Dedicar parte de seu tempo disponível, ou não tão disponível, a uma instituição filantrópica como a Fundação Padre Albino é um momento muito especial na vida de quem aceitou essa missão.
Uma instituição com mais de 85 anos de dedicação às pessoas que necessitam de assistência à saúde, às carências da vida e à educação. Atende a centenas de milhares de pessoas anualmente em seus dois hospitais-escola, com abrangência regional em 18 municípios com uma população estimada em mais de 300.000 habitantes. Emprega quase 2.000 pessoas diretamente e outros milhares indiretamente.
Seu faturamento, apesar de insuficiente, é maior do que a maioria dos municípios que compõem a microrregião de Catanduva. Acolhe mais de 2.000 alunos em seus oito cursos de graduação, residência médica e Colégio de Aplicação. Administra um Ambulatório Médico de Especialidades com capacidade para mais de 11.000 consultas por ano. Só no Recanto Monsenhor Albino, onde acolhe pessoas idosas sem família ou de famílias que não têm condições de cuidar, gasta por ano, às suas próprias expensas, mais de R$ 1.000.000,00. Nos últimos anos, para continuar com seus hospitais atendendo a população, a Fundação tem colocado do próprio bolso mais de R$ 2.000.000,00 por ano.
Em 1968, quando a Associação Beneficente de Catanduva (Santa Casa) se transformou em Fundação Padre Albino por iniciativa de sua Diretoria Administrativa, representada por seu presidente, Sr. José Olímpio Gonçalves, e seu 1º procurador, Dr. Lenício Pacheco Ferreira, com interveniência do Ministério Público representado pelo Dr. Milton Cícero Novaes Baptista, tinha como missão precípua a manutenção da Santa Casa de Misericórdia de Catanduva, denominada Hospital Padre Albino.
Seu primeiro Conselho de Administração foi formado por Monsenhor Albino Alves da Cunha e Silva, José Olímpio Gonçalves, Antonio Stocco, Floriano Peixoto Ferreira Lima, Túlio Tricca, Manoel Hernandes, Dr. Lenício Pacheco Ferreira, Dr. Arlindo Busnardo, Francisco de Senzi, Vicente Martins, Manoel de Lima Machado, Silvio Salles, Fernando Costa Sampaio, José Pedro da Motta Salles, Dr. Renato Bueno Netto, Armando Prandi, Márcio Rocha Ribeiro, Aurélio Zancaner, José Rocha Filho, Iran Silva e a Irmã Maria Celeste Fernandes.
Estas abnegadas pessoas plantaram uma semente que se agigantou e tornou-se referência regional em saúde e educação. Mesmo tendo feito com muita devoção, provavelmente não tinham noção no que se transformaria aquela semente. E fizeram porque não pensaram em si próprios e sim no bem estar da comunidade.
Foram longos anos de árduo trabalho e dedicação, com imensas dificuldades materiais e financeiras para manter a instituição e ainda fazê-la crescer, na medida das necessidades emergentes da população. Hoje as dificuldades são as mesmas, senão maiores dada a complexidade da vida em sociedade no século XXI.
Da mesma forma, o sacerdócio filantrópico hoje exige muito mais dos gestores da Fundação do que no passado e ainda não podemos contar com a grandiloquente figura de Monsenhor Albino, a quem ninguém negava auxílio.
Nós, os atuais dirigentes da Fundação Padre Albino, infelizmente não somos outros “Monsenhores Albinos” – bem que gostaríamos – mas tanto quanto ele prezamos valores como a solidariedade, o amor ao próximo, a ética e a responsabilidade social.
A Fundação Padre Albino, embora nascida no seio da religiosidade, não é uma entidade pia, mas uma instituição privada sem fins lucrativos que se dependesse somente de verbas públicas certamente já estaria fechada há muito tempo. Precisa da participação social não só através de voluntários, mas também da sua credibilidade e do seu apoio. Afinal, suas contas são fiscalizadas não só pelo Ministério Público, que tem o dever legal de velamento das fundações, mas também por auditoria independente, pela Secretaria de Estado da Saúde, pelo Tribunal de Contas do Estado e pela Assembleia Legislativa (por ser uma Organização Social de Saúde).
A Fundação está aberta a todos aqueles que desejarem conhecer nosso trabalho e nossas dificuldades, legado para muitos indesejável de seus fundadores. Procure conhecer uma filantrópica. Quem sabe você também não receba um chamado para esse SACERDÓCIO.

Dr. José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da D.A.

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