SUS, 30 anos: há o que comemorar?

Com sete em cada dez brasileiros dependendo exclusivamente dele e reconhecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como o maior sistema gratuito e universal do mundo, o SUS (Sistema Único de Saúde) completa 30 (trinta) anos de existência. Ainda encontra muitas dificuldades, tais como sub-financiamento, falta de médicos, falta de estrutura básica, além da falta de informação do próprio usuário sobre o funcionamento do sistema. Mesmo assim, amealhou muitas conquistas nesse período e certamente ainda enfrentará muitos desafios pela frente.
Um dos desafios permanente está na atenção básica à saúde, formada pelas UBS’s, PSF’s, UPA’s, Samu etc., sob a responsabilidade dos municípios. Embora de forma geral empreguem o percentual do orçamento definido constitucionalmente, na maioria dos casos esses atendimentos não são resolutivos, demandando altos índices de internações ou encaminhamentos a médicos especialistas desnecessariamente.
Por ano, União, Estados e municípios investem cerca de R$ 240 bilhões para atender 150 milhões de brasileiros. Os outros 50 milhões são atendidos pelos planos de saúde/particulares, embora este último seguimento acabe por gastar em saúde mais da metade (53%) do dispêndio governamental. Segundo a OMS, os gastos públicos com saúde no Brasil representam 6,8% do PIB (Produto Interno Bruto), o que representa pouco mais da metade da média mundial (11,7%).
A falta de leitos ou o seu gerenciamento eficaz é outra constante. Ainda assim, o SUS responde por 69% dos leitos ofertados. As principais causas são as comorbidades decorrentes do envelhecimento populacional crescente e a internação desnecessária.
Em Catanduva, o SUS se faz presente nos hospitais universitários da Fundação Padre Albino: Hospital Padre Albino e Hospital Emílio Carlos (hospitais gerais). Juntos, atendem à média e alta complexidade, além do tratamento ambulatorial. O AME, aparelho do Estado administrado pela FPA, atende ao nível de saúde básica, com a realização de exames e pequenas intervenções. São referência para 19 municípios da região.
Alguns números de atendimentos realizados em 2017 dão a ideia de que o SUS, pelo menos para Catanduva e região, tem sido um sucesso absoluto, ou seja, há sim o que comemorar. Também ainda há muito por fazer, mas tudo indica que se está trilhando o caminho certo; resta apenas torcer para que os futuros governos deem a devida prioridade que a saúde merece.
A população assistida pelos hospitais da Fundação + AME é de 307.310 habitantes. Juntos os dois hospitais disponibilizam 340 leitos, sendo 273 exclusivamente ao SUS. Ocorreram 18.950 internações, sendo 14.581 exclusivamente SUS, isto corresponde a 85.407 pacientes/dia. Foram realizados 152.082 atendimentos ambulatoriais e de urgência/emergência; 1.214.313 exames laboratoriais; 81.008 consultas especializadas; 383.591 refeições servidas, sendo 63.645 doadas. Embora nossa responsabilidade contratual seja atender pacientes dos 19 municípios que compõem da RRAS-12, em 2017 passaram pelos nossos hospitais pacientes de mais de 200 (duzentos) municípios brasileiros; boa parte deles na Unidade de Queimados.
Estes são alguns números apenas para ilustrar. Os números completos já foram remetidos às autoridades competentes, através de nossos relatórios de atividade, mas poderão ser conferidos quando da publicação dos cadernos do nosso Relatório de Atividades e Balanço Social, que serão oportunamente disponibilizados a quem possa interessar.
PARABÉNS AO SUS PELOS SEUS 30 ANOS DE VIDA, ESPERANDO QUE NOS PRÓXIMOS ANOS SEJA AINDA MAIS EFETIVO.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da
Fundação Padre Albino – Catanduva/SP

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