Hospitais da Fundação III – conclusão

Nos dois artigos anteriores desta série o leitor pode tomar conhecimento do tamanho, complexidade e resolutividade dos hospitais da Fundação Padre Albino, sem os quais a população de Catanduva e região ficariam desassistidas em suas questões de saúde em média e alta complexidade.

Com quase nenhuma informação sobre como eram resolvidas as questões de saúde local antes da chegada de Padre Albino, imagino que deveria ser de forma muito precária, mesmo sendo pequena a população naquela época. De forma que não seria exagero afirmar que o marco zero da saúde assistencial por aqui foi a chegada do agora quase santo Padre Albino, há cem anos.

Fácil constatar que em muitos momentos da história distante e recente do Brasil a Igreja Católica tinha certa influência na administração pública, confundindo um pouco a percepção entre os poderes temporais e espirituais – seguindo, aliás, a tradição ibérica da qual somos oriundos – porém sempre assumindo a responsabilidade na promoção humana e assistência social sem a qual nenhum governo, sob qualquer regime, seria competente por si só.

É bem verdade que essa realidade não mudou muito de lá para cá; porém, hoje a Igreja já não está sozinha nesse mister com o surgimento de outras organizações sociais (ongs) e demais entidades que também se voltaram a essa eterna preocupação. Na atualidade vemos, ouvimos e até ajudamos a criticar o serviço público de saúde no Brasil, com alguma ou muita razão quanto a determinadas regiões.

No eixo sul-sudeste, em que pese os inúmeros problemas ainda não resolvidos e os riscos de epidemias por doenças já há muito debeladas, vê-se que a situação da assistência à saúde da população carente e não carente vai melhor do que em outras regiões. Certamente fruto das desigualdades que assolam o país desde o seu descobrimento. Ainda que desconsideremos as dificuldades impostas por sua extensão territorial - é que existem outros países com áreas semelhantes ou ainda maiores que já superaram essa dificuldade.

Quando olhamos para a realidade da microrregião de Catanduva na questão da saúde vemos que por aqui a situação é muito menos preocupante. As redes municipais de atenção à saúde básica dos 19 (dezenove) municípios funcionam com grandes dificuldades, é certo, mas com o apoio sistemático dos hospitais da Fundação têm dado conta do recado. Poderia ser melhor, claro! Mas as soluções esbarram sempre no subfinanciamento, na falta de gestão, na má utilização do sistema pelos próprios usuários e muitas vezes pelos profissionais médicos não comprometidos com o sistema.

De sua parte, a Fundação Padre Albino vem, nos últimos anos, investindo muito na revisão de processos, em inovação tecnológica, na qualificação de mão de obra, melhorias em estrutura física, ampliação de espaços e na profissionalização da gestão. Para isso tudo e ainda elevar as despesas de custeio é preciso muito dinheiro e este não vem em volume suficiente do governo. Se Padre Albino não tivesse tido a premonição de criar outras fontes de receita, a esta altura a Fundação ou estaria em situação lastimável, a exemplo de inúmeras Santas Casas no Brasil, ou não estaria prestando um serviço de qualidade como vem prestando.

Ingenuidade, ou simplesmente maldade, quando alegam que a Fundação vem privilegiando pacientes particulares e de convênios em detrimento dos usuários do SUS. Nosso percentual de atendimento ao SUS supera os 90% considerando os dois hospitais, segundo informações do próprio Ministério da Saúde. O que isso significa? Significa que os resultados positivos apurados em suas outras fontes de receita advindas de serviços prestados a particulares e convênios destinam-se entre outras a cobrir os

déficits produzidos pelo atendimento insuficientemente remunerado pelo SUS. Na prática significa que a Fundação faz saúde pública com recursos próprios; recursos esses que, caso os serviços prestados ao SUS fossem convenientemente remunerados, poderiam estar sendo utilizados para diversas outras melhorias estruturais em benefício do próprio usuário e, ainda, a ampliação da oferta de serviços.

Padre Albino, no alto de sua magnitude espiritual, sabia muito bem o que estava fazendo. Servo de Deus Padre Albino, bendita é a sua obra!

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da
Fundação Padre Albino (SP)

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