O OUTRO ALBINO

Não acredito em destino. Pelo menos não na forma popular para justificar tragédias que ocorrem na vida das pessoas como se fosse um lenitivo para abreviar o sofrimento.
Acredito em outro tipo de destino. Acredito em pessoas predestinadas por Deus para cumprirem algo muito importante em suas vidas terrenas. Pessoas predestinadas a fazer o bem a outras pessoas como uma mensagem viva de Deus para não perdermos a esperança. Pessoas que são luz durante sua existência, cujo exemplo somos instados a seguir.
Estaria eu me referindo ao nosso querido e saudoso Monsenhor Albino Alves da Cunha e Silva? Bem que poderia. Mas não é desse Albino que desejo falar hoje. É de outro Albino que, se não fez pelos necessitados tanto quanto seu homônimo em processo de santificação, fez tudo o que estava a seu alcance para manter abertas as portas dos hospitais e faculdades da Fundação quando exerceu a Presidência da Diretoria Administrativa (01/04/1991 a 31/03/1997).
Aqueles foram anos terríveis para a Fundação Padre Albino, segundo meus confrades conselheiros que vivenciaram aquele período. Que o diga o Pe. Synval, que exercia a Presidência do Conselho de Curadores da Fundação Padre Albino no mesmo período do outro Albino.
Ouvi muitos testemunhos da coragem com que este Albino de quem falo enfrentou a quase inexpugnável crise financeira da FPA, colocando-se às vezes fisicamente à frente de ordens de intervenção pública nos estabelecimentos da FPA. Em outros momentos enfrentou greves de médicos e estudantes com o mesmo espírito combativo de quem tinha plena convicção de que estava defendendo não um patrimônio não público, mas patrimônio do povo, legado daquele Albino santo.
Era no povo humilde e carente que sempre pensava e foi por esse povo que perdeu noites e noites de sono tentando achar uma solução para pelo menos pagar a folha de pagamento. Claro que fez desafetos. Claro que foi momentaneamente incompreendido por suas atitudes às vezes ríspidas, mas necessárias. Como era claro também que ele não tinha outra alternativa; tanto que a Fundação vive e continua a prestar excelentes serviços nas suas diversas áreas de atuação.
Hoje não resta a menor dúvida do acerto de suas atitudes. Ele tinha razão! Como excelente marido e pai dedicado que foi, sacrificou inúmeras vezes o convívio familiar para se dedicar com afinco à FPA. Seu nome já está gravado nos anais da Fundação, mas está indelevelmente gravado no coração de Deus, pelos atos de sabedoria e generosidade que praticou em vida. Seu nome? ALBINO DOS SANTOS COUTO, o outro Albino que restituiu vida à Fundação Padre Albino e não deixou morrer os ideais daquele Albino santo.
O Albino que até hoje muitos ex-funcionários fazem questão de dizer que foi um verdadeiro pai para eles; que apesar de todas as dificuldades não os deixou ao desamparo. Sinto-me honrado em estar hoje ocupando momentaneamente o posto que ele com muito mérito exerceu. É uma responsabilidade imensa tentar seguir-lhe os passos e as atitudes quase heróicas. Foi-se, mas fica seu exemplo, sua dedicação, seu amor pela obra de Padre Albino, a quem imitou em quase tudo, até mesmo na descendência portuguesa que ostentava com muito orgulho.

MUITO OBRIGADO, SEU ALBINO. DEUS LHE PAGUE!

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente de Diretoria Administrativa

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