Muito ajuda quem não atrapalha

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que a Fundação Padre Albino, instituição que no momento dirijo e a quem me compete defender sob qualquer circunstância, não deseja polemizar com ninguém, mas tão somente restabelecer a verdade sobre o pronto-socorro do Hospital Padre Albino (HPA), que tem sido alvo de virulentos ataques através de mídias sociais e pronunciamentos sem o devido contraditório.

Tal atitude não pode ficar sem resposta.

Ao perpetrar o ataque, o agressor demonstrou desconhecer três elementos fundamentais: a lei, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a realidade. 1 - A lei, à medida que filmou e divulgou imagens de pessoas sem a devida autorização dessas. Poderia, com a devida autorização, ter filmado o ambiente evitando imagem identificável de pacientes, médicos e enfermeiros; 2 - o SUS, por desconhecer seus princípios e organização de maneira descentralizada e hierarquizada quanto ao que seja atendimento primário, secundário e terciário e de quem é a responsabilidade por cada uma dessas hierarquias de assistência à saúde e, ainda, o que vem a ser um pronto-socorro ou uma unidade de urgência e emergência e seus respectivos protocolos de atendimento; 3) a realidade, à medida em que está pelo menos cinco anos atrasado em relação à reorganização do pronto-socorro do HPA que hoje, apesar de tudo, é muito melhor do que já foi no passado.

Se quem produziu as imagens tivesse nos solicitado, nós mesmos teríamos mostrado a situação, assim como já fizemos com diversas autoridades e parlamentares que nos visitaram.

Desde quando assumimos, em 2012, essa ala do HPA tem merecido permanente atenção e aprimoramentos. Contudo, continuamos tendo limitações físicas, contratuais e financeiras. Quem nos acompanha por este jornal – impresso e/ou no site – sabe, por exemplo, que muitas pessoas que estavam ali, a rigor, não deveriam estar. Porque apresentam patologias de baixa complexidade que poderiam ser tratadas nos postos de saúde próximos de suas casas. Nem por isso deixaram de ser atendidas.

Em média, de cada dez pessoas atendidas no pronto-socorro, pelo menos seis não precisariam ser. Muitos também estão lá apenas como acompanhantes dos pacientes; não é incomum um paciente estar acompanhado por mais de um familiar ou amigo, gerando assim a sensação de maior lotação do que na verdade é. Poucos sabem que, quando os pacientes estão em macas ou cadeiras no corredor, apesar de estarem plenamente atendidos e medicados, seus custos não são pagos pelo SUS e sim pela própria Fundação, porque estão sendo atendidos além do nosso limite contratual (extrateto). Aliás, um dos setores do hospital que mais dá prejuízo é justamente o pronto-socorro. Contudo, nenhuma das dezenove prefeituras da região, cujos pacientes de sua responsabilidade são para lá encaminhados através de ambulâncias, contribuem para minimizar esses prejuízos.

Outra situação grave e que muitos desconhecem diz respeito aos pacientes psiquiátricos que são atendidos primariamente no pronto-socorro. Depois de atendidos e medicados, deveriam ser encaminhados aos hospitais especializados responsáveis pelas internações desses pacientes, o que, na maioria das vezes, acaba não acontecendo por falta de vagas. Esses pacientes – às vezes mais de uma dezena – acabam ficando lá por dias, sem que ninguém os assuma. Também esses custos são bancados pela Fundação.

É de se lamentar que pessoas ou autoridades representativas, que tinham a obrigação de conhecer de perto estes problemas nos critiquem por uma situação que está fora do nosso alcance, em vez de ajudar. Jogar pedras não ajuda a resolver o problema.

Essa atitude apenas tende a jogar na lama a reputação de uma instituição quase centenária, construída com muito sangue, suor e lágrimas. É, a meu ver, falta de responsabilidade fazer o que se fez, sem um mínimo de conhecimento sobre o assunto. Nada temos a esconder de ninguém. Todas as nossas dependências estão abertas para quem quiser nos conhecer; mostraremos o que temos de excelente e também as nossas muitas dificuldades. Queremos que venham somar conosco através de ações positivas e não com críticas sem fundamentos.

Hoje, a grande maioria das Santas Casas está em sérias dificuldades, fechando leitos ou negando procedimentos; estão no limite de suas forças. Essa não é a realidade dos hospitais da Fundação. Em que pesem as dificuldades e déficits, ela se encontra sólida e atendendo com qualidade, dentro dos limites de sua capacidade. Se mais não é feito não é por culpa da Fundação, mas da própria conjuntura nacional de políticas públicas.

Tudo o que afirmei aqui pode ser confirmado junto ao Departamento Regional de Saúde – DRS, em São José do Rio Preto, na própria Secretaria de Estado da Saúde, em São Paulo, ou ainda através do “Portal Transparência” do Governo do Estado de São Paulo. Por outro lado, todos os anos publicamos nossos Relatórios de Atividade e Balanço Social, que são enviados a todas as autoridades locais, assim como aos nossos gestores estaduais, aos representantes políticos das esferas municipal, estadual e federal e demais autoridades ou formadores de opinião.

Não temos receio algum em sermos transparentes. Quem não sabe que procure saber; aí sim poderá falar. Agora, se não tem coragem para ajudar, pelo menos não atrapalhe.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da
Fundação Padre Albino

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