Hora do balanço

Não, não se trata do famoso balanço patrimonial ou coisa que o valha, relativo à prestação de contas das empresas aos sócios, às autoridades tributárias e à sociedade de maneira geral. O balanço a que me refiro é mesmo um balanço de vida, de ações, de atitudes, de autocrítica sincera do que realizamos ou que deixamos de realizar, com base nos nossos propósitos de início de ano. Pode até parecer chatice, mas porque não fazer? Enfrentar a realidade nem sempre é uma decisão prazerosa, mas não enfrentar pode agravar o problema ou tão somente postergá-lo. Então, melhor fazer logo.
Dissemos naedição de janeirodeste jornal que o ano prometia. Havia grandes expectativas quanto às comemorações do centenário da chegada de Padre Albino em Catanduva e também da chegada do acelerador linear para a Radioterapia. Ambas as expectativas se concretizaram - e em grande estilo, como veremos a seguir.Embora ainda faltem alguns eventos para fechar as comemorações do centenário, o balanço até aqui é muito positivo.
No campo da sustentabilidade, os hospitais da Fundação continuaram firmes no programa do governo paulista “Santas Casas Sustentáveis”. Com os recursos do programa, o que já era bom melhorou muito, não só na qualidade do atendimento, mas também na renovação de boa parte do parque tecnológico dos dois hospitais. Eles continuam prestando excelentes serviços, e com qualidade, embora isso ainda não signifique equilíbrio no resultado operacional porque nem a tabela SUS nem o programa Sustentáveis sofreram reajustes.
A situação da saúde no Brasil continuou na mesma neste ano.O SUS, que completou 30 anos de existência, continua a ser, teoricamente, um dos melhores sistemas de saúde do mundo, só que na prática continua enfrentando muitas dificuldades em quase todas as regiões – o Estado de São Paulo e a região de Catanduva, em particular, são ilhas de prosperidade nesse quesito. Não fosse o protagonismo das Santas Casas e hospitais filantrópicos, certamente a saúde no Brasil seria um caos. Disso decorre a dívida bilionária das Santas Casas, já no patamar dos vinte e três bilhões de reais. As últimas eleições comprovaram o descontentamento da maioria dos brasileiros e uma avalanche conservadora varreu o Planalto, eliminando grande parte das oligarquias perdulárias, renovando e arejando os ares de Brasília e da maioria dos Estados federativos.
E o nosso HCC, como vai? Vai bem, graças a Deus e a ajuda da população. A Radioterapia, carro chefe da maioria dos tratamentos oncológicos, está prestes a entrar em funcionamento. O acelerador linear ficará operativo dentro de poucas semanas, embora ainda dependerá de ajustes e da fiscalização pela Comissão Nacional de Energia Nuclear antes de iniciar os tratamentos. Independentemente da Radioterapia, o HCC já atendeu, dentro do programa Rede Hebe Camargo, milhares de pacientes oncológicos que, de outra forma, precisariam se deslocar para outros Centros para se tratarem. Para eles e seus familiares, o HCC já está produzindo o conforto e a segurança que ansiosamente desejávamos.
Para compensar as deficiências na prestação de serviço à saúde pública, geralmente por falta de mais recursos financeiros e gestão pública e também para suprir os déficits gerados pelo subfinanciamento dos SUS, a Fundação houve por bem implantar, e agora ampliar, seu plano particular de assistência à saúde para aqueles que podem pagar por isso. O que já era bom ficou ainda melhor com a implantação da Ala Marfim no Hospital Emílio Carlos, proporcionando muito mais conforto e tranquilidade para os usuários do Padre Albino Saúde.
Na educação implantamos e consolidamos o Centro Universitário Padre Albino – Unifipa e com ele já vieram mais três cursos: Agronomia, Ciências Contábeis eFarmácia. Outros virão, em breve, sempre com o compromisso com a qualidade do ensino superior, proporcionando aos nossos jovens a oportunidade de entrarem no mercado de trabalho sem que para isso precisem se deslocar grandes distâncias em busca de formação.
O AME – Ambulatório Médico de Especialidades também continua firme em sua trajetória de sucesso absoluto em atendimento a pacientes da saúde básica que precisam de exames e pequenas cirurgias. Só não faz mais por deficiência na rede de assistência à saúde básica, que claudica na logística e no absenteísmo (pacientes que marcam consultas e exames e não comparecem). Sua avaliação continuacolocando-o entre os melhores do Estado.
E o Recanto Monsenhor Albino, em que pese a insubstituível ausência da Irmã Anália, que mesmo à distância continua velando por nossos internos, vem, cada dia mais, proporcionando o que há de melhor em conforto e assistência para os nossos velhinhos. Nada lhes falta e ainda são cobertos de carinho pelos nossos dedicados funcionários e pela incansável Irmã Maria do Rosário, que se vira nos trinta para suprir a falta da “chefe” e procura fazer ainda mais. Missão espinhosa, certamente, mas cheia de êxito.
E para fechar com chave de outro o ano do centenário da chegada de Padre Albino em Catanduva, depois de dezenas de atividades e comemorações, vamos conseguir, pela primeira vez, reunir mais de mil e duzentos funcionários em uma confraternização de final de ano. Comemoração simples, como gostava Padre Albino, porém cheia de calor humano e reconhecimento pelos bons serviços prestados por nossos colaboradores.
Poderia falar muito mais sobre o bom desempenho da Fundação Padre Albino como um todo, principalmente sobre as muitas dificuldades que somos obrigados a enfrentar e superar a cada ano transcorrido, porém, o espaço não nos permite. Fica por conta do prezado leitor fazer o juízo restante dos nossos erros e acertos. Não vamos pedir salvas ou elogios; pediremos apenas compreensão.
Até 2019, se Deus quiser!

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da
Fundação Padre Albino (Catanduva/SP)

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