Confraternar

Dia 15 de dezembro de 2018, para mim, jamais será esquecido. Foi o dia em que um sonho meu se concretizou no curso de minha gestão à frente da Diretoria Administrativa da Fundação Padre Albino. Desde que assumi, em 28 de maio de 2012, acalentava, a cada final de ano, promover uma confraternização com o maior número possível de funcionários, em vez de um número pequeno e limitado, mais próximo, e geralmente do alto escalão. Isto me incomodava.

Confraternizar em final de ano significa o ápice de uma convivência fraterna ao longo de doze meses, quando, então, comemoramos, juntos, todas as vicissitudes que impactaram nossa vida em comum ao longo desse tempo no âmbito de uma empresa ou de qualquer outro lugar. Não importa se a convivência foi um pouco tumultuada ou se foi tranquila; o momento é para aparar as arestas e consolidar a harmonia.

Muitas são as dificuldades para se unir em um mesmo espaço e horário mais de dois mil funcionários, a começar pela própria disponibilidade, considerando que a maioria está alocada em dois hospitais, com jornada de 24 horas por dia; o paciente não pode esperar. Outra dificuldade é o dispêndio financeiro, sempre grande obstáculo ao convívio harmonioso entre seres humanos. Apesar de tudo eu acreditava que deveria haver um jeito para contornar isso. Todos os anos fazíamos as contas e o resultado era sempre o mesmo: não dá!

Até que neste ano – na verdade no final do ano passado, ao iniciarmos as tratativas para a programação comemorativa dos cem anos da chegada de Padre Albino em Catanduva – resolvemos refazer as contas e chegamos à conclusão que daria, sim, para realizar uma bela confraternização. Ainda que não conseguíssemos reunir todos os funcionários. O principal motivo para esse esforço foi justamente os cem anos da chegada do Padre. A partir daí, o Mauro, o Rogério e a Janaína não mediram esforços para que acontecesse. Quem pôde participar é testemunha viva do que foi esta primeira de muitas, espero, confraternização geral dos funcionários da FPA.

Além do sonho realizado, esse evento marcou outro momento importante no meu voluntariado na Fundação. Estando à frente da Diretoria Administrativa há quase sete anos e com mandato até março de 2021, havia, contudo, a necessidade de avançarmos mais celeremente em nosso projeto de profissionalização, planejado desde o início de nossa gestão. Em março deste ano o Conselho de Curadores aprovou o novo Estatuto Social da Fundação, com uma conformação profissionalizada, onde foi prevista a troca de gestão para início de 2019. Infelizmente, por questões burocráticas, o novo Estatuto ainda não foi convalidado pelo representante do Ministério Público Curador de Fundações, o que esperamos deva acontecer logo nos primeiros meses de 2019.

Entretanto, não podendo mais dedicar meu tempo inteiramente à Fundação, resolvemos antecipar alguns passos e iniciamos a implantação de uma gestão compartilhada entre funcionários do primeiro escalão (futuros diretores) e membros da atual Diretoria Administrativa, garantindo assim maior segurança ao processo de transição, inicialmente sem prazo para conclusão.

Assim que o novo Estatuto entrar em vigor e o processo de transição for concluído, nós, os voluntários que hoje ocupamos cargos administrativos, vamos passar a ocupar cadeiras ou comitês dentro do Conselho de Administração, de onde passaremos a administrar a Fundação em sentido macro, ou seja, definindo estratégias, elaborando planos, acompanhando o dia-a-dia da Fundação, sem, contudo, interferir na gestão, que terá seus resultados cobrados regularmente da Diretoria Executiva profissionalizada.

Com isso, a Fundação está adentrando ao que há de mais moderno em termos de administração empresarial, cumprindo, assim, o vaticínio de nosso mandatário maior,

Dr. Antonio Hércules, presidente do Conselho de Administração e do Conselho de Curadores, em editorial neste mesmo jornal, em maio de 2012, quando se referia a um novo modelo de governança para a Fundação: “Não há porque não acreditar no sucesso e que tudo será melhorado. Organizações que atingiram o tamanho e a história da Fundação Padre Albino não podem mais depender apenas do trabalho benemérito de algumas pessoas, de doações não recorrentes e de uma visão arcaica, ultrapassada, ancorada em apelos sentimentais. Chegou o momento de mudanças e do avanço neste vigoroso terceiro setor, no qual nossa entidade está inserida”.
Sábias e proféticas palavras.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da Fundação Padre Albino (Catanduva/SP)

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