Nos hospitais filantrópicos, a esperança nunca morre, literalmente!

Poucas pessoas se dão conta que dentro do agitado ambiente hospitalar talvez ocorram as maiores manifestações interiores de fé e esperança que um indivíduo crédulo possa vivenciar,superando talvez até mesmo as vividas em ambientes mais propícios, tais como igrejas, templos etc. Os momentos de angústia experimentados de forma particular e única não podem ser transmitidos, sendo então canalizados a uma entidade superior e onipotente,através de súplicas e clamores,buscando aliviar a dor e trazer de volta a paz e a alegria. Quem já não passou por isso?
Temos, por tradição e experiências próprias, muitos preconceitospara com os hospitais, como se fossem eles os causadores das nossas dores e angústias nos momentos de enfermidade, quando na verdade são eles que, através de seus devotados servidores, labutam incansavelmente para o alívio e sobrevivência dos pacientes, confortando seus familiares. Os hospitais não promovem a doença, ao contrário, recuperam a saúde. Não causam a morte, ao contrário,sustentam a vida até seus instantes finais com a maior dignidade possível. Ajudam as pessoas a entrarem na vida e dela saírem, sempre com dignidade. E, entre um fato e outro, ajudam todos a terem esperança, muita esperança!
É desta mesma esperança que sobrevivem as Santas Casas e hospitais filantrópicos:a cada ano que se inicia, a cada novo governo, as esperanças se renovam também. Procuramos esquecer as promessas vãs que ficaram no passado e passamos a acreditar vigorosamente nas novas promessas de um ano melhor. Assim tem sido a cantilena das filantrópicas ao longo dos anos, especialmente aquelas que atuam na área da saúde. Entra ano e acaba ano e, de esperanças renovadas a esperanças frustradas, aqui estamos, sem jamais deixar a esperança morrer. Nós, dirigentes, temos a obrigação de manter acesa essa chama na qual repousa muitas vezes a única esperançadaqueles que necessitam dos serviços hospitalares.
Com o novo governo,reacendemos as nossas esperanças em dias melhores para a saúde do povo brasileiro, sobretudo na saúde básica, onde há grandes gargalos na assistência. Para os hospitais que prestam serviços ao SUS, esperamos por mais atenção e respeito, além de significativa melhora na remuneração dos serviços há muito defasada, resultando em déficits monstruosos e dívidas impagáveis. A realidade mostra que, no Brasil, desde sempre, nenhum governo consegue promover a saúde do povo sem a imprescindível ajuda das Santas Casas e hospitais filantrópicos. Quase sempre maltratados e taxados de vilões, são na verdade a salvação da pátria.
Contudo, não devemos esperar que o governo forneça tudo a todos o tempo todo. Nos cabe, enquanto sociedade, a responsabilidade solidária de um para com o outro e de todos para com o bem comum. A esperança a que me refiro não é esperar que tudo caia do céu em favor deste ou daquele. É preciso que saiamos da nossa zona de conforto e lutemos juntos e ininterruptamente por melhorias gerais. É nesse sentido que também renovamos a nossa esperança nas pessoas e nas organizações, para que voltem seus olhares cada vez mais às causas sociais e ajudem na construção de um Brasil melhor e com mais saúde para todos.
A esperança não é a última que morre; ela simplesmente não pode morrer.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa
da Fundação Padre Albino

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