Padre Albino começa a voltar para Portugal

De forma vitoriosa, Padre Albino começa retornar às suas origens depois do que parecia ter sido uma viagem, sem volta, iniciada de maneira involuntária em 1910.

Tendo chegado ao Brasil em 1912, fugindo da Revolução em Portugal, e em 1918, em Catanduva, Padre Albino jamais voltou à sua terra natal. Eis que Portugal vem agora resgatar a trajetória da vida, a saga e as realizações de seu filho dileto, que não mediu esforços para seguir os passos do Cristo que tanto amou. Aqui chegou como missionário e retorna agora, in memoriam, como santo.

Tudo começou em 2015, quando o então secretário de Cultura de Catanduva e também conselheiro da Fundação Padre Albino, Prof. Nelson Lopes Martins, engendrou com o presidente da Câmara de Celorico de Basto (cargo que se assemelha aqui ao de prefeito), Joaquim Monteiro da Mota e Silva – Concelho* ao qual pertence a aldeia de Codeçoso, na Província do Minho, Portugal, terra natal de nosso maior benfeitor – o processo de geminação entre as duas cidades, firmando protocolo de intenções para intercâmbio em várias áreas, inclusive nas de Educação e Cultura.

Ao tomar conhecimento dos grandes feitos de seu conterrâneo e do estágio avançado de seu processo de beatificação, o presidente da Câmara passou a interessar-se pela vida e obra de Padre Albino a fim de transmitir aos seus concidadãos, principalmente aos mais jovens, quão importante foi aqui no Brasil aquele que “para não perder a batina e a vida, foge pressurosamente”, segundo Monsenhor Victor Rodrigues de Assis, autor do livro Monsenhor Albino Alves da Cunha e Silva, Apóstolo da Caridade.

“Não tínhamos noção do tamanho da obra de Padre Albino”, revelou, admirado, o prefeito em sua visita no dia 22 de fevereiro passado. Também mostrou admiração como que os voluntários deram continuidade à obra, transformando-a na principal instituição da região, com atuação nas áreas da saúde, educação e assistência social. Revelou, ainda, firme propósito de instituir na sua cidade um museu em homenagem a Padre Albino, como forma de dar conhecimento concreto de quem foi e o que fez o filho de “Seu” Avelino Alves da Cunha e Silva e Dona Ana Joaquina da Mota e Andrade. Aliás, o prefeito Joaquim é descendente direto de D. Ana, de forma que também é consanguíneo de Padre Albino.

O senhor prefeito nos fez uma proposta, que vamos estudar com muito carinho, de contribuirmos com o acervo de Padre Albino, que hoje compõe o Museu Padre Albino, em Catanduva, com doações de peças e/ou réplicas para o museu que será criado em Codeçoso, numa antiga escola que está desativada, a aproximadamente 800 metros da casa onde nasceu e viveu Padre Albino com sua família.

Recebemos essa proposta com muita alegria, pois uma das maiores dificuldades que temos, por incrível que pareça, não é preservar a obra de Padre Albino, mas de preservar e divulgar a sua própria imagem e biografia para as gerações atual e futura, carentes de heróis de carne e osso, que não têm por objetivo eliminar os inimigos, mas promover o bem estar de todos, indistintamente.

Padre Albino foi, é e precisa continuar sendo um exemplo. Nossos irmãos portugueses descobriram rapidamente essa necessidade. Para nossa alegria, não só o prefeito Joaquim está empenhado em divulgar a vida e obra de Padre Albino, mas também um filho dileto de Catanduva, que segue seus passos e conduz outra obra de grande envergadura, que se estende não só pelo Brasil, mas também por outros países.

Falo do Frei Francisco – ou do nosso querido e estimado Padre Nelinho – que, através de sua ordem Franciscana, assumiu a direção de um hospital na cidade portuguesa de Braga e está, a pedido do Bispo daquela cidade, desenvolvendo uma

grande campanha naquela região para tornar Padre Albino conhecido e amado também lá, como cá (como diriam os portugueses). Recentemente Frei Francisco celebrou, inclusive em Catanduva, várias missas de envio de dois franciscanos para Braga, levando duas peças de roupas de Padre Albino doadas pela Irmã Anália Nunes.

Diz o Evangelho que nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra, mas parece que no caso de Padre Albino está sendo diferente. Seus conterrâneos estão muito interessados em conhecer a grande obra desse santo homem, talvez até mais do que aqueles que hoje se beneficiam da sua extrema caridade. É com muita alegria que vamos compartilhá-lo com nossos irmãos portugueses. Uma volta realmente gloriosa!

* Concelho - circunscrição administrativa ou município.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa
da Fundação Padre Albino

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