2018: no centenário da chegada de Padre Albino a Catanduva, o desempenho de sua maior obra certamen

Encerrado o ano civil de 2018, a Fundação Padre Albino (FPA), como qualquer outra empresa, tem a obrigação de fechar o balanço de suas atividades e prestar contas à sociedade e às autoridades competentes sobre o seu desempenho. Aliás, por ser uma Fundação, tem não só a obrigação, mas o dever de transparecer tudo o que fez, como fez e para quem fez, justamente porque trata-se de uma entidade que não tem dono, nem proprietário, cabendo aos seus dirigentes-voluntários dar a correta destinação ao patrimônio fundacional, cumprindo assim a missão perpetuada por seu fundador.
O Balanço Patrimonial, bem como as demonstrações financeiras consolidadas e o resultado operacional,serão demonstrados neste Jornal da Fundação e também publicados no jornal local e DOE, neste somente em relação ao AME, conforme prevê a legislação. Porém, fazemos questão de informar nossos leitores sobre alguns aspectos relevantes que constam obrigatoriamente da peça contábil e outras informações não necessariamente obrigatórias, mas que consideramos a sua divulgação de suma importância. Até porque não basta que a Fundação faça; é preciso também que divulgue o que fez, como forma de prestação de contas para o cidadão catanduvense.
Lembrando que quando nos referimos à Fundação Padre Albino, não estamos nos referindo somente aos hospitais Padre Albino e Emílio Carlos – geralmente mais conhecidos por suas atuações na área da saúde em âmbito regional –estamosnos referindo à Mantenedora desses dois hospitais e também do Centro Universitário Padre Albino/UNIFIPA, do Colégio Catanduva, do Recanto Monsenhor Albino, do Ambulatório Médico de Especialidades/AME e também do plano de saúde Padre Albino Saúde, pertencente à Associação Padre Albino Saúde, da qual a Fundação é Associada Fundadora, cujos resultados são apurados em balanço distinto,e ainda ao Hospital de Câncer de Catanduva/HCC, que funciona integrado ao Hospital Emílio Carlos.
Em 2018, os hospitais da FPA receberam em regime de internação 101.912 pacientes-dia, sendo 85,25% deles pacientes SUS e 14,75% pacientes de convênios ou particulares. Os ambulatórios e a Unidade de Urgência e Emergência atenderam 157.713 pacientes, sendo 79,39% pacientes SUS e 20,61% pacientes de convênios ou particulares. Em decorrência direta desses percentuais de atendimento SUS e em razão da não atualização da tabela pelo Ministério da Saúde há pelo menos 13 anos, a Fundação apurou um déficit nominal da ordem de R$ 13.421.738,52 em seus dois hospitais, já inclusas aí todas as despesas administrativas. No Recanto Monsenhor Albino, onde cerca de 50 idosos receberam toda atenção e carinho durante o ano de 2018, o déficit foi da ordem de R$ 2.423.733,80, tambémjá incluídas todas as despesas administrativas. Mesmo assim, o déficit global demonstrado no balanço foi de apenas R$ 309.572,81,isto porque o restante foi coberto pelo resultado positivo do Departamento de Educação, leia-se UNIFIPA. Em relação ao ano anterior houve um agravamento significativo no déficit, coberto pela própria Fundação. Ou seja, a Fundação continuou fazendo saúde pública com parte significativa de recursos privados. É sua missão, sim, mas poderia estar fazendo muito mais e melhor se não tivesse que dispender tanto de recursos próprios.
Mesmo bancando todo o déficit produzido pelos hospitais e Recanto, a UNIFIPA ainda cumpriu com sua responsabilidade social e filantrópica ao conceder bolsas de estudos a alunos carentes (gratuidade) em percentuais que variam de 10% a 100%, dependendo do enquadramento legal. Para tanto deixou de cobrar R$ 6.716.602,31 de alunos carentes, contribuindo assim com o desenvolvimento microrregional, coisa que dificilmente instituições educacionais de grande porte fariam caso viessem a instalar-se em Catanduva. Além disso, não investiriam um tostão sequer na assistência à saúde da população como faz a FPA. Todo o lucro aqui obtido iria para a sede da controladora, geralmente no exterior.
Além da questão econômico-financeira propriamente dita, a Fundação gerou 2.276 empregos diretos em 2018, sem contar os empregos indiretos gerados através da aquisição de produtos e serviços de terceiros locais. E ainda investiu R$ 9.367.200,63 em aquisição de máquinas, equipamentos, móveis e utensílios, equipamentos de informática, benfeitorias em imóveis etc. com recursos próprios, de emendas parlamentares, subvenções e também oriundos da campanha de captação de recursos para a conclusão da Radioterapia.
Com todas as dificuldades, a Fundação ainda conseguiu manter seu patrimônio líquido, da ordem de R$ 129.369.456,40, praticamente estável em relação a 2017. Isso graças à boa gestão e a busca constante por recursos governamentais extra-contratualização, sem contar que nossa produção excede constantemente o teto de contratualização em média 30%. Ou seja, produzimos, em média, quase 1/3 a mais da nossa responsabilidade contratual sem receber por isso. Não deixamos ao desemparo quem nos procura, mesmo não sendo nossa responsabilidade atendê-los.
Outro dado importante do Balanço diz respeito à quantidade de horas e os respectivos benefícios financeiros obtidos pelaFundação com o trabalho voluntário: foram doadas 3.240 horas de voluntariado, que corresponderiam a R$ 650.258,52 caso fossemos remunerados com base no mercado de trabalho. Podemos acrescentar, ainda, que além do valor financeiro doado pelo trabalho, nós, os voluntários, assumimos livremente a responsabilidade pela gestão íntegra da instituição pelo que colocamoso nosso patrimônio pessoal em risco.
Como se vê, não é nada fácil substituir um Padre Albino, mas com a ajuda e proteção dele estamos conseguindo.
OBS: Os dados aqui informados são enviados à apreciação do Ministério Público Curador de Fundações e demais autoridades competentes e poderão ser conferidos no balanço publicado nos jornais acima citados ou na própria administração da FPA. Também foram auditados por auditoria independente, conforme preconiza a Lei e o Estatuto.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da
Fundação Padre Albino (Catanduva/SP)

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