Voluntariado: perdas e ganhos.

O que se ganha e o que se perde no voluntariado? Por que a maioria dos cidadãos prefere não abraçá-lo? É moralmente justo apenas contribuir economicamente com as causas, ao invés de se envolver com elas? Vale a pena ser voluntário?

São muitas as perguntas e as respostas serão sempre contraditórias ou evasivas, talvez porque a cultura do voluntariado nacional não seja ainda um valor consolidado na alma dos cidadãos, diferentemente de outras culturas, que já compreendem não caber somente ao Estado a responsabilidade pelo bem comum, o auxílio aos mais necessitados e a ajuda mútua. Vá lá... Que se dê um desconto por sermos uma jovem nação, embora saibamos que o espírito de solidariedade permeava os grupamentos ainda nos primórdios da civilização e que países tão jovens quanto o nosso têm modus mais avançados de lidar com a questão.

Militando no voluntariado há dezenove anos (sete dos quais na presidência da Diretoria Administrativa da Fundação Padre Albino), posso arriscar-me a contribuir com algumas respostas, muito embora o tempo de militância não seja tão extenso assim, comparado ao de outros voluntários pelo mundo afora. É verdade que muitos voluntários permanecem quase que anônimos, o que não contribui muito para a divulgação dos benefícios do voluntariado tanto para quem recebe quanto para quem doa. E quando falo em doação, não quero me referir apenas à doação de bens tangíveis, como dinheiro, bens materiais e equivalentes. Refiro-me também e, principalmente, aos bens intangíveis, como tempo, dedicação, solidariedade humana, empatia etc., tão em falta ultimamente.

Os benefícios do voluntariado são inúmeros e incontáveis, tanto em relação ao conforto material produzido pela ação, quanto ao conforto espiritual, produzido na alma do beneficiário e do beneficiado. Só fazendo uma experiência para saber do que estou falando. Contudo, o exercício do voluntariado é exigente e às vezes impõe algum sacrifício. E o primeiro deles é o de deixar o comodismo de lado e literalmente colocar a mão na massa. O voluntariado desacomoda porque as carências estão presentes nas vinte e quatro horas do dia, em todos os dias da semana. Não há como ser voluntário sem se desalojar de algum conforto. Daí porque o simples fato de doar dinheiro e bens, embora de suma importância para as causas sociais, não deve ser considerado necessariamente voluntariado. Sem dúvida que se trata de filantropia, que por definição significa profundo amor à humanidade, porém, às vezes o simples fato de doar dinheiro ou bens materiais pode apenas aliviar a nossa consciência para justificar o não envolvimento com uma causa.

O voluntariado é uma atitude essencialmente humana. Nenhuma pessoa jurídica, por maior que seja a sua obra ou que tenha a palavra filantropia insculpida em sua razão social, é filantropa na acepção da palavra, senão através de seus voluntários (pessoas físicas), que agem em seu nome e em seu nome dão concretude aos valores da instituição.

O voluntariado é uma forma de filantropia e é um valor humano por excelência. No seu exercício perde-se também um pouco da convivência familiar, porque seja lá qual for o tipo de voluntariado que se abrace, ele exigirá sempre a presença física do voluntário em muitos momentos, muitas das vezes em sacrifício de seus momentos de lazer pessoal ou com a família. Arrisca-se também a ser incompreendido às vezes, por pessoas maldosas ou ignorantes que, incomodadas, caluniam-no injuriosamente. Para estes devemos apenas responder com as palavras de Jesus Cristo, no célebre sermão da montanha: “(...) bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame por causa

do Filho do Homem! Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu. Era assim que os pais deles tratavam os profetas.” (Lc 6–22-23).

Ser voluntário é, antes de mais nada, ser seguidor do Cristo, ainda que nenhum mérito nos caiba por isso. Já os ganhos são muitos e gratificantes, pois as pessoas que foram beneficiadas com o seu trabalho jamais se esquecem dos benefícios que receberam, mesmo nem sabendo ao certo quem fez. Estarão sempre agradecidas e orando por quem as ajudou, ainda que anonimamente. Outras, que o conhecem e sabem o que você fez, reconhecem seu trabalho e se comprometem em ajudá-lo. As bênçãos que você e sua família recebem por isso são imensas. Mesmo nas atribulações e vicissitudes da vida, você não se desespera e permanece confiante nas providências divinas, sejam elas quais forem, porque você se esforçou para amar como Ele nos amou.

O bem interior que o voluntariado produz no voluntario é incalculável. Vale a pena ser voluntário; os ganhos são muito superiores às perdas. “Além disso, aumenta o grau de socialização, aumenta a autoestima e a satisfação pessoal, melhora as competências do trabalho em equipe, acarreta a possibilidade de melhor se enfrentar novos desafios, melhora capacidades, aumenta a motivação e satisfação no trabalho, aumenta o reconhecimento por parte dos outros colaboradores e da empresa, estimula a criatividade, melhora a saúde, é fonte de realização pessoal e permite maior desenvolvimento pessoal e profissional”. (Wikipédia).

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa da
Fundação Padre Albino (Catanduva/SP)

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