E o sonho tornou - se realidade...

Não foi um sonho qualquer. Na verdade era um desejo muito forte acalentado na alma de cada um dos diretores, movidos pela compaixão para com as pessoas em sofrimento. Não foi preciso acordar, pois o sonho acontecia em plena vigília há muito tempo!

E o sonho tornou-se realidade no dia 14 de agosto, dia que ficará eternizado nos anais da Fundação Padre Albino e no coração das pessoas. Nesse dia o primeiro paciente oncológico recebeu tratamento radioterápico nas dependências do Hospital de Câncer de Catanduva, cumprindo-se assim o vaticínio e o compromisso dos gestores da Fundação. Estava terminando ali a via crucis para centenas de pacientes oncológicos de toda a região que, sem alternativas, tinham que se submeter a longas e penosas viagens até os centros especializados e distantes de suas residências.

Quem já passou por isso sabe bem o que estou dizendo. Sabe como é penoso ver seu ente querido, debilitado física e emocionalmente, buscar forças onde praticamente já não existe para enfrentar nova jornada de tratamentos, cujos efeitos colaterais se agravam com esses deslocamentos intermináveis, sabendo que depois do tratamento terá que enfrentar novamente as não menos torturantes estradas e os riscos a elas inerentes. É nessas horas que os pensamentos são arrebatados em busca de uma resposta, um fio de esperança que seja para superar o desânimo e vislumbrar a cura, que tarda miseravelmente. A esperança de um tratamento digno é tudo o que resta.

Não estamos dizendo que a partir de agora os pacientes oncológicos passarão a ter novas expectativas em relação à doença; as chances de cura não aumentam nem diminuem ao receberem o tratamento em Catanduva. Isso vai depender da descoberta de novos tratamentos pela medicina, da precocidade dos diagnósticos e da celeridade do início dos tratamentos. Mas as expectativas de sucesso no tratamento, a partir de agora, serão mais promissoras à medida que se dará em menor tempo, propiciando o retorno mais rápido ao convívio familiar. Isto auxiliará muito na recuperação do paciente. Este foi, aliás, o principal motivo que levou a diretoria da Fundação Padre Albino a encarar o desafio de implantar o Serviço de Radioterapia em Catanduva. Porém, o caminho para chegar até aqui não foi nada fácil.

Quem vê hoje o prédio da Radioterapia em pleno funcionamento pode ter a impressão que tudo aquilo brotou dos gramados do Hospital Emílio Carlos da noite para o dia. Não foi bem assim. Os percalços foram muitos e em muitos momentos pareciam intransponíveis. Mas não desanimamos porque sabíamos que poderíamos contar com o apoio e a ajuda de muita gente, que de fato acreditou e confiou em nossos propósitos e capacidade de levar a cabo um empreendimento dessa envergadura. Cremos não tê-los decepcionado. É verdade que alguns duvidaram e agora não têm mais por que duvidar: a Radioterapia e o HCC são fatos.

Existe, e certamente persistirá por um bom tempo, o preconceito sobre a efetividade do tratamento a ser dispensado pelo HCC em relação a outros centros de tratamentos oncológicos tradicionais e de plena confiança. Isto é até certo ponto compreensível. Com equipamentos modernos e equipe bem preparada, o HCC está à altura dos melhores hospitais oncológicos do Brasil em qualidade. O corpo clínico oncológico conta hoje com quinze profissionais oriundos de alguns desses hospitais. O radioterapeuta responsável é o mesmo profissional que presta serviços para a Santa Casa e Hospital de Base, ambos de São José do Rio Preto, tendo formado toda a equipe de técnicos em radioterapia do HCC. Os setores de internação contam hoje com ambientes adequados e excelente infraestrutura, tanto para convênios quanto para o SUS. Além disso, é importante lembrar que os outros centros tradicionais de tratamentos oncológicos estão superlotados, gerando demora e desconforto para muitos pacientes. O Estado já não consegue atender a essa demanda crescente e não fossem as Santas Casas e hospitais filantrópicos a situação poderia estar muito mais difícil.

Portanto, é realmente uma bênção que a Fundação Padre Albino tenha conseguido realizar este sonho, para o bem de toda a comunidade regional. Não podemos deixar de reconhecer o bem que foi feito até agora aos nossos pacientes pelos hospitais oncológicos tradicionais, como o Pio XII de Barretos, o Amaral Carvalho de Jaú, a Santa Casa de São José do Rio Preto e tantos outros. Somos eternamente gratos por isso. Mas a partir de agora essa luta passa a ser nossa também, embora em alguns casos ainda continuem atendendo. E agora mais do que nunca vamos precisar que as prefeituras da nossa região se juntem a nós nessa espinhosa, porém honrosa missão. Afinal elas também serão beneficiadas ao não precisar mais disponibilizar suas ambulâncias e motoristas para levar pacientes aos distantes centros especializados. As viagens e os tratamentos serão mais rápidos e seguros, com distâncias muito menores a serem percorridas.

Enfim, todos ganhamos com a disponibilização dos serviços oncológicos pelo Hospital de Câncer de Catanduva, que já não é mais sonho, mas a mais pura realidade. Infelizmente o sonho não acaba aqui: serão necessários muitos recursos financeiros para que os tratamentos sejam continuados, caso contrário o sonho poderá se tornar pesadelo...

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa
da Fundação Padre Albino

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