A missão da Fundação Padre Albino

“Manter instituições no campo da saúde, da assistência, da educação e da pesquisa científica, objetivando a prevenção, a recuperação, a reabilitação e a promoção humana nos seus aspectos político e social, contribuindo para o desenvolvimento de um cidadão consciente, crítico e ético, agente na sociedade”.

Não resta a menor dúvida que a Fundação vem cumprindo sua missão há muito tempo, ainda que só a tenha traduzido em texto bem mais recentemente, a partir da implantação e revisão do seu planejamento estratégico. Fez isso para tornar mais inteligível, fácil de gravar e conscientizar-se do sentido e objetivo que deve seguir, em sua busca constante pelo bem-estar social, sobretudo das pessoas menos favorecidas.

Para quem está de alguma forma ligado à Fundação não basta que simplesmente decore esta frase bonita e bem elaborada a fim de expressar ou recordar qual é a sua finalidade, para que e para quem ela existe. É preciso muito mais que isso; é preciso que tenha essa missão gravada em sua mente e em seu coração e a vivencie todos os dias.

Não tem sido fácil para nós, dirigentes, mantermos a Fundação no prumo, por muitas razões, a começar pelas dificuldades financeiras decorrentes do subfinanciamento do SUS, a principal fonte de renda da Fundação junto ao Ministério da Saúde, via governo do Estado de São Paulo, para prestar serviços gerais em saúde terciária, isto é, em nível hospitalar, mas também em nível médio e de realização de exames diagnósticos e pequenas cirurgias no AME.

Com dois hospitais escolas atendendo em torno de 80% de pacientes do Sistema Único de Saúde da região, que remunera, em média, somente cerca de 60% dos custos dessa prestação de serviços, dá bem para ter-se ideia do tamanho do rombo que temos que cobrir mensalmente. Não bastasse isso, os dois hospitais atendem sempre muito mais do que o contratualizado, isto é, realiza, em médica, cerca de 20 ou 30% a mais de serviços do que deveria. Assim, o rombo, que já é grande, decorrente da baixa remuneração, torna-se ainda maior.

Alguém não muito esclarecido, ou mal-intencionado, poderia arguir: e por que faz a mais, se não está contratado para isso? Boa pergunta, claro! Posso, contudo, responder com outra pergunta: o que devemos fazer, então, com os pacientes que chegam às portas dos hospitais, depois que já cumprimos com nosso compromisso contratual? Mandamos de volta para casa? Encaminhamos para a Prefeitura? Para o Ministério da Saúde? Claro que não! São acolhidos e tratados como se a cota não tivesse esgotada, mesmo sabendo que nada receberemos por isso. E quem vai pagar essa conta? O governo do Estado não paga, porque diz que não tem dinheiro. O governo federal também não paga, porque alega que não tem dinheiro e ainda por cima nos critica porque estamos atendendo além das nossas responsabilidades. O governo municipal nem quer falar disso porque não é responsabilidade dele (aliás, nesse caso, sempre que puder empurrar alguns pacientes da saúde básica para serem tratados nos hospitais, sem que isso seja necessário, não tenham dúvida que fará).

A conta fica mesmo para a Fundação! E quando a Fundação sai em busca de outras fontes de renda para cobrir esses rombos, que nenhuma autoridade pública quer assumir, aparecem cidadãos ou algum de seus representantes inquirindo porque a Fundação precisa tanto de dinheiro das campanhas arrecadatórias, emendas parlamentares, convênios a fundo perdido além dos superávits obtidos em seus departamentos de educação e plano de saúde (embora este não possa mais financiar déficits da Fundação por ter sido segregado)?

Quando falta leito para algum paciente; quando falta leito de UTI; quando algum ambiente ou equipamento hospitalar está sucateado; quando há demora no atendimento etc. muitos nem sequer perguntam por que falta. Querem logo contatar algum dirigente ou funcionário conhecido para “dar um jeitinho”, uma “prioridade” e assim por diante.

Todo mundo quer ser bem atendido e rapidamente; ninguém quer saber quanto isso custa ou quem vai pagar a conta. É sempre importante lembrar que a Fundação não é uma instituição pública, mas sim uma instituição particular que presta serviços públicos via contratualização. Não tem obrigação de assumir prejuízos decorrentes da prestação desses serviços; contudo o faz para honrar sua missão. Mas tudo tem um limite. Se essas pessoas procurassem saber - todos os dias a mídia comenta sobre a real situação das Santas Casas e hospitais filantrópicos no Brasil!

A Fundação, graças a Padre Albino e aos atuais dirigentes, ainda não vive situação semelhante porque busca incansavelmente outras fontes de financiamento, tanto para custeio quanto para investimentos. E o faz de forma transparente: publica anualmente seu balanço contábil, patrimonial, social e de atividades e os envia regularmente às autoridades competentes. Além disso, coloca-se sempre à disposição a quem desejar maiores esclarecimentos. Maior transparência impossível!

Jamais a Fundação vai sucumbir ou deixar de realizar sua missão porque pessoas maledicentes e que provavelmente nunca fizeram nada por ninguém preferem não reconhecer sua dignidade e a de seus dirigentes. A Fundação jamais se desviará de sua missão, sempre sob as bênçãos de Deus e proteção de seu patrono Padre Albino.

José Carlos Rodrigues Amarante
Presidente da Diretoria Administrativa
da Fundação Padre Albino

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